Restauração de objetos / Restoration of objects

Noutro post me referi ao processo de preservação de memória como um ato político e voluntário (https://museudosilvio.com/2019/09/07/a-respeito-dos-estilos-about-styles-a-propos-des-styles/).  Avançando na análise, o processo que se define comumente como restauração, muitas vezes trata-se de reforma total ou parcial que altera a natureza do objeto.

Nenhum juízo de valor atribuo a qualquer decisão, mesmo a decisão de reciclar objetos ou mesmo destruir objetos culturais. Afinal, se o processo de preservação de memória é um ato político e voluntário, a não preservação ou mesmo sua reciclagem ou destruição estão no mesmo conjunto de ideias.

O próprio sentido de restauração, como o de preservar o objeto guardando seu significado, em longo prazo torna-se impossível em vista do processo natural de entropia que ocorre conforme a segunda lei da termodinâmica.

Seguindo a mesma ideia, aqui no Museu estabeleci (para mim mesmo) que Restauração constitui-se num conjunto de atos que visam a preservar ao máximo possível a identidade, a funcionalidade e a constituição do objeto quando de sua produção e uso. O sentido de possível inclui as condições em que se encontra o objeto, o tempo disponível para restaurar e os meios físicos, materiais, equipamentos e tecnologia, e meios financeiros disponíveis. Portanto, nosso propósito não é tornar a peça nova, nem bonita, nem a de preservá-la como encontrada, mas sim devolver, caso tenha perdido, sua identidade quando produzida e utilizada.

Quando adquirimos uma peça sempre nos perguntamos: Para qual finalidade o objeto  foi produzido? Quais são ou foram os materiais utilizados para produzir a peça? Em qual condição se encontra a peça? É necessário realizar alguma interferência? Qual interferência deve ser realizada? Há componentes de época compatíveis no mercado?

Consideradas essas variáveis, passa-se à decisão do que e como proceder. Cada peça corresponde a um projeto único e diferenciado e requer decisões as mais variadas sobre limpeza, retirada de pátina ou de sua manutenção, pintura ou não, desmonte, estado dos componentes, restauração ou substituição de componentes, produção ou compra de componentes faltantes, uso de produtos químicos, e tantas outras decisões que no conjunto tem que atender ao princípio utilizado aqui como conjunto de atos que visam a preservar ao máximo possível a identidade, a funcionalidade e a constituição do objeto quando de sua produção e uso.

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