O Museu Nacional e sua sustentabilidade / The National Museum and its sustainability

O recente episódio do incêndio do Museu Nacional do Rio de Janeiro, com a destruição de todo o patrimônio da área de exposição, com as consequentes queixas dos seus empregados pela falta de manutenção e seu choro diante das câmeras, com a manifestação dos altos postos do poder executivo referindo-se a aplicação de verbas para sua reconstrução, bem como as manifestações de inúmeras pessoas de elevada fama social, todas de alguma forma responsabilizando o Estado através das suas instituições e respectivos chefes, sinaliza claramente a perspectiva, e a expectativa, de todos de que somente as verbas públicas são o motor da sustentabilidade do Museu Nacional do Rio de Janeiro.

Nenhum dos que se manifestaram, ao menos os de elevada nomeada, se manifestaram sobre o modelo de sustentabilidade do Museu. Isso significa que, desde a limpeza, a troca de parafusos, o conserto de uma tomada de energia, o conserto da goteira do telhado, a descupinização tudo é, segundo eles, responsabilidade do Estado.

Essa é uma perspectiva de um estado totalitário, onde a iniciativa privada é completamente alijada do processo cultural, educacional e científico, onde a responsabilidade individual e social se limita ao usufruto crítico dos bens oferecidos pelo Estado ao povo, o qual se diz dono, porém sem protagonismo algum.

É de se perguntar se essa perspectiva, consubstanciada na forma de pensar da população, e especialmente dos seus próceres, é o melhor caminho para o resgate, a manutenção e o entendimento da história através dos museus.

Um comentário sobre “O Museu Nacional e sua sustentabilidade / The National Museum and its sustainability

  1. Sérgio Giraldi disse:

    Infelizmente uma fatalidade esse incêndio. Porém uma fatalidade com dia e hora para ocorrer visto que não se tomou medida alguma visando a prevenção de incêndios. Em países como a França e a Espanha museus são tidos como fonte de turismo e divisas, entrementes verdadeiras atrações ao público turista. Para isso toda medida de segurança e manutenção é tomada.
    Infelizmente os museus brasileiros acautelados ou administrados pelo estado são verdadeiros paquidermes que demandam imensos recursos de verbas e não se vê os reais investimentos.
    A iniciativa privada podendo gerir tais espaços alavancaria tal setor.
    Também vale lembrar das fontes de recursos da renúncia fiscal da lei Candir que poderia ser destinada a esse segmento.
    Cada vez mais acredito em museus e coleções de cunho particular pois a responsabilidade pela curadoria e zelo das peças tem carater pessoal – o próprio dono das peças.

    Curtido por 1 pessoa

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s