Utensílio para fazer cigarros com filtro / Filter cigarette maker

Até meados dos anos 90 do século XX, o consumo de tabaco sob diversas formas era muito comum devido ao prazer que oferece ao fumante, bem como pelo incentivo da indústria fumageira através de maciça propaganda. Posteriormente o tabaco perdeu espaço para outras drogas piores cujo efeito danoso é amplamente conhecido, tanto para usuários quanto para a sociedade.

O cigarro é uma das formas de consumir o tabaco, podendo ser comprado industrializado ou feitos artesanalmente pelo consumidor.

Muitas empresas, visando a garantir o consumo do tabaco, criaram utensílios para que os consumidores pudessem produzir seu próprio cigarro.

Este utensílio era vendido em conjunto com um pacote de tabaco, um de cilindros de papéis de cigarros e um de filtros.

Fazer o cigarro é um processo muito simples. Basta retrair a alavanca e a prensa, esta simplesmente puxando uma pequena tampa. Feito isso, coloca-se o filtro, o fumo e o papel nos lugares corretos. Após, fecha-se a tampa e empurra-se a alavanca para que o filtro e o conjunto se encaixem no cilindro de papel.

Com alguma habilidade é possível produzir vários cigarros em poucos minutos.

Data: Provável década de 1960

Marca:  Laredo

Empresa: Brown & Willianson Tobacco Corporation

Origem: Louisville – Kentucky – USA

Ref.: 383-07

Máquina de eletrochoque / Electroshok machine

Com a percepção de que os choques elétricos causavam um certo “desligamento” da pessoa eletrocutada, desenvolveram aparelhos para tratar de “doenças nervosas”.

Este aparelho francês da segunda metade do século XIX, que se trata de um simples magneto, ou seja, um gerador de eletricidade por meio da rotação de uma bobina de cobre sob um imã, tinha por finalidade atender a pessoas, especialmente senhoras, com enxaqueca e outros sintomas.

Em meados do século XIX o uso da eletricidade começa a ser explorado em todas as atividades imagináveis.

O choque elétrico era muito baixo, no máximo uns 30 volts, o que causava apenas um leve formigamento. Atualmente existem muitas terapias a base de eletricidade, inclusive acupuntura.

Origem:               França
Data:                  Provavelmente década de 1870
MARCA:              A. Gaiffe
Estado atual:      Funcional

Ref.: 26-17

Tear manual / Artcraft loom / Métier à tisser

O trançamento de fibras para produção de vestuário remonta há mais de seis mil anos. Como o amigo visitante pode observar, todos os registros da história das civilizações mesopotâmicas, do Egito, da China, da Grécia, de Roma e de outras civilizações antigas retrata seus personagens na pintura e na escultura com roupas.

As roupas era tecidas em teares manuais, pelas próprias famílias ou pelos servos dos nobres, inicialmente rudimentares e posteriormente se sofisticando com o tempo, com o uso de fios  encordoados (uso de rocas),conforme pode ser visto nesse blog do MUMMA:  https://museudosilvio.wordpress.com/2018/07/23/roca-spinning-textiles-rouet-en-bois/

A partir do aprendizado no trançamento de fibras para produzirem cestas, esteiras, sandálias e outras utilidades, foi desenvolvido o conhecimento para encordoar fios macios para produzir o vestuário, tão necessário à proteção contra o frio, o calor e outros elementos do ambiente como insetos, a poeira e outros elementos naturais que,em contato com o corpo nú, causam desconforto ou mesmo doenças.

Este pequeno tear, segundo alguns sites, era utilizado em escolas para fins educativos. Todo em aço, com 33 cm de altura e 32 cm de comprimento, tem capacidade para fazer tecidos de até 11 cm de largura.

Data:                  Provável primeira metade do século XX.

Marca:               Structo

Fabricante:         Structo MFG. CO. Freeport, ILL. USA.

Estado atual:     Funcional

Curiosidade:      Em vista da necessidade de retirar a ferrugem e de pintar novamente a peça, optamos por usar várias cores facilitando ao observador a percepção dos diversos componentes. Fixamos a peça numa base de madeira, a qual não vinha com o original.

Conforme o amigo visitante pode observar há um tecido na peça, o qual produzimos em poucos minutos sem nunca antes ter feito qualquer curso sobre o assunto. Portanto, esse tipo de tecelagem é um mister de fácil aprendizado e de rápida aquisição de habilidade.  

Ref. 267-08

O Museu no Shopping do Vale em Cachoeirinha

No período de 10 de maio a 27 de junho de 2022, realizamos uma exposição em parceria com o Shopping do Vale, em Cachoeirinha-RS, com o título “Um dia no Shopping na Época das Nossas Bisavós”, onde apresentamos vinte peças representativas de utilidades do período aproximado de 1870 a 1970.

Mais de 800 pessoas registraram sua presença evidenciando o interesse popular sobre o tema, sendo que vários visitantes tiveram contato pela primeira com uma exposição musealizada. Considerando um valor simbólico de R$ 10 por ingresso o Museu e o Shopping, ofereceram gratuitamente um total de R$ 8.000,00 em serviços culturais à Cidade.

As centenas de registros elogiosos e a grande presença na exposição evidenciam que a sociedade quer boa cultura e aproveita as oportunidades de usufruir quando lhe são oferecidas. Acreditamos que o oferecimento de boa cultura, dentre elas, o resgate da história através de museus, pode contribuir para construir uma sociedade melhor.

Resta agradecer o apoio do Shopping, na pessoa da gerente de Marketing Fabiana, o apoio institucional da Prefeitura Municipal, o apoio da Wigga Esquadrias, ao Cláudio Stüepp, parceiro de todas as horas, e de muitos amigos que trabalharam para o sucesso da exposição.

Ferramenta articulada / Articulated tool

Essa ferramenta é do tipo “chave inglesa”, ou ainda “bico de papagaio”, tendo como característica a adaptação automática ao tamanho da porca ou cabeça de parafuso a ser fixado. Foi inventada com a finalidade de tornar desnecessário o ajuste manual, ou, ainda, substituir várias chaves de uso único.

Tem o mesmo princípio de funcionamento dos alicates, com a diferença de ter apenas uma alça de aperto, enquanto os alicates possuem duas alças. Com 20 cm de comprimento destina-se a atividades leves.

A funcionalidade da ferramenta é boa, no entanto, as chaves que fazem mais sucesso de vendas são as que requerem que o usuário faça o ajuste girando com os dedos uma engrenagem interna. Desta forma, feito o ajuste, o usuário se dedica ao resto da atividade, ou seja, fixar ou desafixar o parafuso. Talvez por causar alguma insegurança ao usuário ou por requerer uma habilidade maior que as de engrenagem, esta utilidade não é mais produzida.

Origem: Germany

Fabricante: Luckhaus & Günther

Data: Desconhecido. Encontramos anúncios do fabricante em catálogos de 1851, porém não encontramos a data do encerramento das atividades ou de sua absorção.

Estado atual: Funcional

Curiosidade: O logo representativo da empresa é um círculo pontilhado, com o ícone interior “Cordeiro de Deus”, o qual representa Jesus Cristo na iconografia cristã. Este ícone tem o desenho de um cordeiro segurando com sua perna dianteira o mastro de uma bandeira em forma de cruz.

Ref.: 385-15

Máquina para cortar grama / Lawn mower

Cortadores de grama têm a finalidade de manter a grama aparada nos jardins ou gramados. Além de aparar a grama, facilitado pelo simples empurrar do equipamento, faz o corte em altura uniforme, causando boa aparência ao conjunto.

Este cortador tem lâminas tipo carretel, as quais puxam a grama e as ficcionam contra uma lâmina cortando-as, isso devido ao movimento circular causado por uma engrenagem acoplada às rodas, que se movem ao se empurrar o equipamento.

A primeira patente de invento conhecida para essa utilidade foi concedida em 1830 para o engenheiro Edwin Beard Budding, de Gloucesterhire, Inglaterra.

A American Lawn Mower Co., que produziu este cortador de grama, foi fundada em 1895, em Richmond, Indiana, nos Estados Unidos da América – EUA, por Robert B. Kersey, WF Spencer, George M. Spencer e WF Spencer III. Em 1902, passou a produzir os cortadores de grama em Municie, Indiana.

Data: Entre 1902 e 1950 (talvez antes)

Origem: Municie, Indiana, Estados Unidos

Empresa: American Lawn Mower Co.

Futuro desta utilidade: Substituída por cortadores elétricos robotizados.

Ref.: 386-04

Para saber mais:

https://www.popularmechanics.com/home/tools/reviews/a7864/a-brief-history-of-the-lawnmower-9989506/

https://americanlawnmower.com/pages/our-history

Máquina de bobinar fitas / Tape winding machine

65. Maquina de enrolar fitas

As máquinas de datilografia e as calculadoras que imprimiam as operações tiveram vital importância para o comércio no século XX. A impressão se dava mediante a gravação do símbolo (número ou letra) por meio de uma batida do tipo numa fita embebida em tinta que era transferida para o papel.  Quando a tinta se exauria um novo carretel com fita era colocado na máquina.

Esta inusitada máquina tinha por finalidade, enrolar as fitas nos carretéis. O comerciante de máquinas e acessórios adquiria um rolo com muitos metros de fita, bem como uma variedade de carretéis, propiciando produzir bobinas para todos os tipos e modelos de maquinas de escrever e de calcular.

Origem:              IGPECOGRAFE Máquinas de Endereçar Ltda.  Brasil
Modelo:              EF19.
Data:                   Provável década de 1960
Estado atual:     Funcional

Ref.: 65-15

Triturador de gelo / Ice crusher / Concasseur à glaçons

Este utensílio doméstico manual serve para triturar cubos gelo para a preparação de bebidas. Modelos semelhantes com materiais modernos são facilmente encontrados no mercado a preços acessíveis.

Produzida em plástico e alumínio fundido sob pressão, uma técnica moderna ainda utilizada.

Para funcionar, basta colocar cubos ou pedaços de gelo no depósito, fechar a tampa e girar a manivela. Depois basta retirar o depósito e utilizar o gelo triturado.

Data:                    Patenteado sob n. 2.398.932 e 2.398.933 em abril de 1946. Portanto, não é anterior a essa data. Fonte: http://icetoolcollection.com/14patentedtools1936topresent.htm

Origem:               Kansas City, Missouri, Estados Unidos
Marca:                 Ice-O-Mat

Modelo:              VOGUE

Empresa:             Rival Manufactoring Co. Fundada em 1932, por Henry J. Talge. Em 1963 foi vendida para um banco de investimentos. Fonte: https://en.wikipedia.org/wiki/The_Rival_Company
Estado atual:       Funcional

Ref. 81-14

Bomba de ar / Air pump

Este aparelho já me causou muitas dúvidas sobre sua utilidade. Entre as possibilidades de ser uma bomba d’água, ou bomba de óleo, ou bomba de combustível ou bomba de ar. Provavelmente foi utilizado em postos de combustível juntamente com bombas de gasolina manuais, em locais onde não havia energia elétrica.

Para funcionar basta mover a alavanca num sentido e noutro para que a bomba (cilindro inferior) insufle ar para o cilindro superior. Da forma como foi projetada, o ar é bombeado em ambos movimentos da alavanca. O cilindro superior tem a função e permitir o funcionamento do manômetro para que o usuário saiba qual é a pressão de ar acumulada.

Construído todo em ferro e bronze, possui retentores de ar no cilindro feitos de tiras de algodão evidenciando sua produção no início do século XX.

Sem marca identificável, nem origem, nem outro igual encontrado.

Estado atual: Funcional demonstrativo.  Faltam o cabo da alavanca e o suporte da base da peça, que se presume poderia ser de madeira ou ter cinco pés fixos ou mesmo cinco rodízios. Ainda a descobrir. O manômetro utiliza o tubo flexível inventado pelo engenheiro alemão chamado Schinz, em 1846, método que foi posteriormente patenteado pelo francês Eugène Bourdon (Wikipédia). No manômetro faltam a caixa, o mostrador (dial), o vidro e o ponteiro.

Aqui nós vemos a parte interna de um manômetro, muito parecido com o que acompanha este aparelho: https://www.fluidpowerworld.com/what-are-gauges/

Ref.: 382-15

Furador de papel/Paper punch

Os furadores foram muito utilizados para preparar folhas de papel para arquivamento, e muitos modelos foram produzidos desde o início do século XX. O arquivo de papéis tornou-se importante porque há incontáveis documentos assinados que comprovam operações mercantis e outras tantas.

Os arquivadores mais utilizados eram pastas onde as folhas eram introduzidas em dois ganchos paralelos e  fixados por outros dois ganchos em sentido contrário.

O meio papel para comprovar operações vem sendo substituído aceleradamente por operações eletrônicas, podendo-se inferir que em alguns anos o uso do papel será uma raridade.

Com este furador é possível  colar e furar fitas de reforço no papel. Nas laterais há dois suportes onde são introduzidos os rolos de fita colante.  O equipamento possui dois pequenos depósitos metálicos laterais onde caem os resíduos, diferente dos modelos conhecidos que possuem um único depósito sobre toda a base do grampeador.

Origem:               Alemanha

Empresa:              Büroapparatebau Skrebba Werk GmbH, fundada por Otto Screbba

Marca:                 Veloma – Regulus

Logo:                   SKR, que são as iniciais do sobrenome do fundador.

Num:                    465857

Data:                    Na página da empresa Screbba, encontramos uma foto com um furador idêntico, datado de 1927. No entanto, pode ter sido produzido até a década de 1970. Fonte: https://www.skrebba-werk.com/en/products/office-punches.html

Aparentemente a empresa fechou suas portas devido a um processo de falência iniciado em 2017. Fonte: https://www.lahrer-zeitung.de/inhalt.lahr-skrebba-werk-droht-das-aus.4559b4eb-a5fc-416a-baba-da4f95782ab3.html

Estado atual:     Funcional demonstrativo. O aparelho é original, exceto a pintura, as navalhas e o regulador do papel. Em alguns modelos há duas proteções laterais com finalidade estética.

Adiante vemos algumas fotos da peça quando foi adquirida.

Ref.: 149-10

Máquina de costura Vesta B / Sewing machine Vesta B

Copiei estes textos, traduzidos pelo Google, porque são bem esclarecedores, não havendo necessidade de reescrevê-los. Ao final, informo os sites usados como fonte.

“Em 1 de julho de 1871, os três serralheiros Leopold Oskar Dietrich, Hermann Köhler e Gustav Winselmann fundaram uma oficina para a produção de máquinas de costura em Altenburg sob o nome Dietrich & Co., na  Allemannia.  No final do mesmo ano já havia 300 peças.

Em 1873, dois anos após a fundação da oficina, Dietrich renunciou e abriu uma oficina de costura com aluguel na Sporenstrasse. A empresa foi renomeada Köhler und Winselmann e mudou-se para instalações maiores em 1877.

A fábrica de máquinas de costura Vesta era uma empresa comercial aberta para a produção de máquinas de costura , fundada por Leopold Oskar Dietrich em Altenburg ( Turíngia ) em 1875. Ele transferiu a produção em 1880 para o novo prédio que havia começado um ano antes. As extensões foram construídas em 1908 e 1912/13. Em 1927, 1.252 pessoas estavam empregadas. A empresa foi nacionalizada após o fim da Segunda Guerra Mundial e em 1948 incorporada à VEB Sewing Machine Works Altenburg (fábrica de máquinas de costura Köhler), que existia desde 1947

Não há prazo para esses modelos, mas as máquinas de costura originais do século XIX, desta empresa, eram a Família A e a Família B, juntamente com a Universal No 1.”

Marca: Vesta

Tipo:    B

Num: 1.338.579

Origem: Alemanha

Fabricante: Provavelmente L. O. Dietrich & Co.

Produzida entre 1871 e 1920 aproximadamente. Isso especialmente porque no decalque encontramos a referência ”Vesta B”, portanto é um tipo dentre três que foram fabricados desde o final do século XIX e início do século XX. Entretanto essas informações são parciais, pois não encontramos referência a outra máquina igual nas pesquisas que realizamos.

Neste caso evitei fazer maiores interferências na peça para preservar o que restou da pintura, dos decalques e da cromagem originais.

Estado atual: Faltam componentes fundamentais para costurar: lançadeira canoinha, bobina da lançadeira, sapata, regulador de pressão da linha, prendedor da agulha e puxador da linha. À exceção desses componentes, o restante do mecanismo está funcional.

Fontes: https://second.wiki/wiki/vesta-nc3a4hmaschinen-werke#Standorte

Ref.: 380-14

Macaco Ford 29 / Jack Ford 29

Este acessório bem elaborado tem capacidade para elevar três toneladas, o suficiente para garantir a troca dos pneus do automóvel. Estrutura em ferro fundido de boa qualidade, com eixo de aço. O doador recebeu de uma senhora cuja mãe possuía um Ford 29 (Modelo T).

A altura máxima do macaco é de 39,5 cm. Retraído para o mínimo alcança 25,5 cm. O curso do eixo elevador é de apenas 14 cm e deveria ser colocado junto a barra de suporte das rodas, portanto, não havia muita margem de ajuste, requerendo que o macaco estivesse estabilizado para fazer o seu trabalho.

Para funcionar, aciona-se uma alavanca que empurra o pino de tração o qual empurra um dente da engrenagem vertical que por sua vez aciona a engrenagem horizontal, que por sua vez expande o eixo elevador. O pino de tração funciona em dois sentidos, podendo expandir ou retrair o eixo elevador.

Data: De 1925 a 1931

Modelo:    Tamanho intermediário (duas janelas na estrutura). Muitas versões deste macaco com catraca foram produzidas, todas parecidas, mas com detalhes variados.

Num. da estrutura:               B579

Num. do pino de tração:      B4021

Origem: Provavelmente USA, incorporado ao veículo no Brasil, pois na época a Ford brasileira era montadora dos automóveis com peças produzidas nos USA.

Doação Sr. Augusto da ArtSolda

Estado atual: Funcional demonstrativo. Falta a alavanca de tração.

Neste vídeo encontramos o macaco semelhante usado para elevar um Fort T. https://www.youtube.com/watch?v=bS1umhEoPsM.

Ref.: 381-15

Dispensador de barbantes e fitilhos / String and ribbon dispenser / Distributore di spaghi e nastri

A maioria dos produtos de hoje vem com embalagens próprias ou são colocados em sacolas plásticas, tudo visando a rapidez e praticidade.

Mas até a década de 1960 ainda não haviam tantas facilidades, então havia muito trabalho para os lojistas e donos de armarinhos de forma a embalar as vendas. Usavam papel de embrulho simples para vendas normais e papel de embrulho colorido e estampado para presentes. As vendas normais eram amarradas com barbantes de algodão e as vendas para presente eram amarradas com fitilhos (fitas coloridas).

Era comum no local de empacotamento a existência de dispensadores com rolos de papel pardo e rolo de papel para presente. Da mesma forma, haviam dispensadores de cordão ou fitilhos para amarrar as embalagens.

O design desta peça é do final do século XIX, contudo foi produzido na década de 1960. Todo em alumínio cromado e pés com sapatas de borracha. No topo há um fixador de lâmina de barbear que servia para cortar o cordão ou fitilho. No centro do componente circular há um eixo retrátil onde vai o rolo de cordão; e na base giratória há uma haste que serve de suporte para a ponta do cordão. O elemento contendo as utilidades gira livremente sobre a base.

Data:     Década de 1960

Marca:  Colli

Empresa: Colli S/A Fiação, Fitilhos e Barbantes. O Sr. Egisto Colli foi diretor-presidente e acionista.

Estado atual: Funcional

Futuro dessa utilidade: Extinção

Ref.: 379-05

O Museu na 33ª Feira do Livro de Cachoeirinha

A primeira experiência do museu com uma exposição de acervo físico ocorreu na semana de 30 de novembro a 15 de dezembro de 2021, no Shopping do Vale, durante a 33ª. Feira do livro da cidade de Cachoeirinha –RS. A iniciativa foi da Secretaria da Cultura, Desporto e Lazer da cidade, que nos fez o convite para participar da Feira.

Foram expostas dez peças, de utilidades distintas. O interesse de crianças e adultos foi simplesmente emocionante, o que comprova a importância da preservação da memória social; neste caso, das utilidades manuais mecânicas antigas. Foram seis dias de visitação, onde pode-se mostrar as peças, além da interatividade com as mesmas, para um grupo de pessoas de todas as idades, famílias, escolas, entes do poder público, e a comunidade em geral.

A lista de pessoas que a agradecer é grande e vamos nominar apenas algumas que estiveram no “front” pela Prefeitura de Cachoeirinha, as professoras Estela Maris Bussolo, Ângela Maria Bianchi e Isabel Cristina Quadros pelo incansável trabalho, dedicação e competência, ao Secretário da Cultura, Esporte, Lazer e Turismo Ildo Júnior da Silva Dias, ao Secretário da Educação Cláudio Luiz Pinheiro. Um agradecimento especialíssimo Ao Cláudio e a Fátima Stüepp e ao Darlan Cezarino que literalmente vestiram a camisa do Museu, cônsules e entusiastas do projeto. À Fabiana Peixoto, coordenadora de marqueting do Shopping e à equipe de segurança, muito obrigado. Por fim, agradecer a visita de muitos amigos e parentes que cavaram um tempo na sua agenda para prestigiar a exposição.

Dezembro/2021

Janaina Mendes – Diretora

Máquina de tricot / knitting machine / Machine à tricoter

A produção de tecidos para o vestuário pode ser feita por meio de técnicas como o tricô, o crochê, a tecelagem, sempre com uma série de nós em um fio, resultando em um tecido já formatado ou que será  costurado para que lhes seja dado o formato desejado.

Se tivesse que apostar sobre quem inventou essas técnicas para a produção de tecidos, apostaria 99,99% nas mulheres. Já os teares podem ter tido uma contribuição mais efetiva dos homens e acompanham a humanidade possivelmente há seis mil anos. Em 1801, Joseph Marie Jacquard inventou o tear mecânico, com cartões perfurados, superando incrivelmente a capacidade de produção do tear manual, possibilitando à população em geral ter acesso a roupas baratas.

Máquinas de tricô têm o mesmo princípio de funcionamento das máquinas de costura. A diferença é que as máquinas de costura possuem apenas uma agulha e fazem os nós numa sequência, num tecido. Já as máquinas de tricot fazem o tecido. Estas possuem várias agulhas que produzem uma linha de nós em paralelo, em sequência, onde os nós da linha que está sendo feita são engatados nos nós da linha anterior, gerando uma malha ou tecido.

Esta máquina de tricot possui 180 agulhas podendo fazer uma malha de 76 cm de largura, no comprimento desejado. Esta  tricotadora é das mais simples, pois não possui cartão para diferenciação de pontos, nem para produzir tecidos cônicos, como mangas ou golas.

Foi produzida pela Empresa MAQUINAS TRICOT  F. G. Y. LTDA. e, conforme registro na Junta Comercial de São Paulo, iniciou suas atividades em 27 de janeiro de 1953 e estava estabelecida na Rua Galvão Bueno, São  Paulo – SP. Foi extinta antes da década de 1990, pois não deixou registros na internet.

Consta num selo da máquina a patente de invento nº 96.164, presumindo-se que seja uma patente brasileira, mas não conseguimos localizar o registro.

Máquinas de tricot e de costura foram, e ainda são, fontes de renda para muitas famílias. No entanto, atualmente são usadas máquinas eletro-eletronicas com programas  embutidos para confecção de todo tipo de roupas.

Data:                     Entre os anos de 1953 e 1970

Origem:               Brasil

Marca:                 FGY Super Luxo

Empresa:            Máquinas Tricot F.G.Y. Ltda.

Estado atual:     Não testado.

Futuro desta utilidade: Ainda serão produzidas, com predomínio de máquinas eletro-eletrônicas industriais, as quais dominarão quase toda a produção.

Curiosidade: A aprodução de roupas nos países industrializados é muito maior que a necessidade, pois anualmente são colocadas no lixo milhares de toneladas de roupas que não foram sequer usadas, tendo gasto  energia e recursos naturais desnecessariamente.

http://www.tricocursos.com.br/sobretrico/museu2b.asp

Ref.: 40-14

Caixa registradora de vendas / Cash register

As transações comerciais de produtos de consumo intensificaram-se no século XIX e tornaram-se massivos nos séculos seguintes. Para dar segurança a quem vende, de que todas as transações foram registradas pelos funcionários, foram inventadas as caixas registradoras as quais serviam para somar os valores dos produtos vendidos, guardar o dinheiro e ajudar a fazer o troco.

Registradoras, especialmente anteriores ao século XXI são muito apreciadas por colecionadores e embora com mecanismos bem mais simples que as calculadoras, possuem um charme todo especial.

NCR – National Cash Register, foi inventada em 1879 pelos irmãos James Jacob Ritty e John Ritty, tendo obtido a patente americana n° 221360, em 04 de novembro de 1879, e iniciado a sua fabricação em Dayton, Ohio, USA. Posteriormente foram inventadas novas funcionalidades e registradas patentes para cada uma delas.

Esta registradora manual da National é um modelo simples e despojado de adereços. Tem aproximadamente 450 componentes, mas possui apenas 3 funções de controle: impressão do total das operações por seção, um acumulador de valores e um contador de zeramentos do acumulador de valores. Mesmo assim era ótimo para o proprietário saber o total da féria do dia de forma automática, facilitando em muito o controle dos dinheiros que ingressaram.

Para funcionar bastava selecionar o item (A, B, D, E, H, K, L, M ou N, (serviam para identificar seções, departamentos ou famílias de produtos) selecionar o valor, sendo cada alavanca correspondendo, da direita para a esquerda, aos centavos, as unidades, as dezenas e as centenas e após, girar duas vezes a manivela. Girando a manivela sem seleção de valores, a gaveta se abre automaticamente para que o usuário guarde os dinheiros e faça o troco para o cliente.  

Data:                     30 de setembro de 1946, conforme o certificado de garantia colado no fundo do depósito de dinheiro.

Marca:                  National

Série:                    1652-B, Número: S-502300-BR, chassi n. 3716745, suporte do chassi n. 51514

Fabricante:         National Cash Register C.O.

Origem:               Dayton, Ohio, Estados Unidos

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Faltam a fita de impressão, a bobina de papel, as três chaves, duas almofadas de pressão, além de uma almofada existente estar desgastada. Um dente da engrenagem principal está quebrado. Não foi possível descobrir a cor original da pintura da máquina.

Ref.: 168-05

Curiosidades: A registradora possuía um ano de garantia dada pelo fabricante, portanto, 44 anos antes da vigência do código de defesa do consumidor no Brasil. No Certificado de Garantia consta o seguinte texto:

GARANTIA

Esta Caixa Registradora “NATIONAL”

Modêlo…….. 1652-B……..N.° 502300

é garantida ao comprador pela “CAIXAS

REGISTRADORAS NATIONAL S. A.”

contra todo e qualquer defeito de mate-

rial ou de construção, pelo espaço de um

ano, desde a sua entrega, isto é até

…30…de….setembro…de…1947…………

e serão feitos gratuitamente quaisquer

reparos necessitados para o uso corréto da

Registradora, bastando a simples apre-

sentação da mesma na filial onde tiver

sido comprada.

Esta garantia não se refere á limpeza da

Máquina, nem á deterioração ou québras

ocasionadas por quédas, fôgo, água, ou

qualquér outro motivo fóra do uso comum

da mesma. Esta garantia fica sem efeito

se a Registradora deixar de pertencer

ao comprador original, ou se fôr tratada

por mecânicos por nós não autorizados.

Registradoras National S.A.

REPRESENTANTES PARA O BRASIL, DE

NATIONAL CASH REGISTER CO.

–Dayton, Ohio, -E.U.A.-

60 – 5.000 – 12/44

Comandos

  1. Alavancas seletoras de algarismos.
  2. Manivela para realizar a operação e liberação da gaveta.
  3. Pino chave de controle de impressão ou não impressão dos dados fixos.
  4. Roletes seletores do dia e do mês.
  5. Porta de acesso para colocação da bobina de papel.
  6. Fechadura da porta de acesso à bobina de papel.
  7. Fechadura mestre: tem três posições: funcionamento, travado e liberar a gaveta.  Esta fechadura permite acesso à chave zeradora do totalizador quando na posição de liberar a gaveta.
  8. Contador de zeramentos com chave zeradora do totalizador. O acionamento desta chave retrai a folha de metal de ocultação do totalizador, permitindo ao gerente visualizar e anotar o valor acumulado. Após isso, basta girar a chave por 360 graus para zerar o totalizador e avançar um dígito no contador de zeramentos.
  9. Janela de inspeção do estado da bobina de papel, para eventual substituição.

Utilidades

  1. Rolete dentado para avançar automaticamente a fita de papel.
  2. Rolete dentado para avançar automaticamente a fita de impressão.
  3. Sinal sonoro automático indicador de abertura da gaveta.
  4. Gaveta com quatro compartimentos para moedas e três compartimentos para cédulas, estes com larguras diferentes para facilitar a guarda da cédula pelo tamanho.
  5. Abertura automática da gaveta.

Outras características operacionais:

  • Acumulador registra até 999.999,90.
  • Textos estão em português, portanto foi produzida para exportação para países de língua lusófona.
  • Duas bobinas de papel, uma para o cliente e outra para o proprietário.
  • Rolete integrado de impressão para registrar dados fixos. Nesta máquina há somente o carimbo “GRATOS”, mas poderia ter mais dois carimbos, por exemplo, o nome da empresa e o endereço.
  • Após ser zerado o totalizador, por algum fator não identificado, é necessário que as travas frontais dos pinos de acionamento do contador estejam no dente mais distante do eixo. Para isso deve-se acionar, um a um, os acionadores na sua parte de baixo, fazendo com que façam a trava saltar para o dente mais distante do eixo. Caso esse procedimento não seja feito ao ser acionado o zerador, a casa das unidades saltará sempre uma casa a mais, inutilizando o uso do totalizador… Esse procedimento só se consegue fazer sem a carenagem, fato que é melhor evitar o zeramento. Assim, o melhor procedimento é anotar o valor do totalizador do final do dia para compará-lo com o do final do dia seguinte de forma a apurar o valor total da féria.

Plaina Moldureira / Frame planner / Raboteuse

Plainas são objetos de carpintaria para moldar a madeira segundo a necessidade. As mais conhecidas são aplainadeiras destinadas a tornar lisas as superfícies de madeira, num plano. O trabalho em madeira permitia que os carpinteiros, desde a antiguidade, as esculpissem para obter os mais diversos formatos. Neste caso, as moldureiras, serviam para criar sulcos que davam uma certa estética para os objetos longos. A quantidade de sulcos diferentes e paralelos é ilimitado. Os fabricantes foram pródigos na criação de lâminas acopladas a peças de madeira com piso em formato semelhante à ponta de corte da lâmina. Esse conjunto equivale a um negativo fotográfico de como ficaria a peça pronta.

Esta moldureira é capaz de cavar um sulco de 28 mm de lado, com profundidades variáveis e paralelas. Após formatada, a peça pode adornar uma janela, ser usada como espelho de aberturas, formar molduras de quadros ou de móveis, tudo de acordo com a vontade do cliente ou do fabricante.

Esta plaina tem entre 167 e 122 anos, tendo resistido ao tempo pelos cuidados recebidos de seus proprietários, ou mesmo por ter sido abandonada em algum lugar seco e isento de cupins.

Ela recebeu um conserto, pois o cabo não é original. A madeira do cabo parece ser Pinus Elliottii, explorado comercialmente no Brasil a partir da década de 1960.

Data:                   Entre 1854 e 1899, quando funcionou na Rua Lamartine, 6, em Paris-França. A gravação do endereço da empresa na lâmina funciona como um certificado de produção.

Origem:              Paris – França

Tamanho:           Número 3

Empresa:            Aux Mines de Suede, fundada por Charles Gautier em 1849.

Fonte:   https://rabotsauxminesdesuede.com/moulores-a-2-fers/

Ref.: 377-15

Máquina para escrever em Japonês / Japanese Typewriter / …日本のタイプライター

Diferente das máquinas de datilografia, que por sua natureza exigem o uso dos dedos das mãos, esta máquina requer que se movimente o estojo de caracteres com a mão direita mediante o uso de um manete e de um pressionador com a mão esquerda.

Esta máquina completa possui 2205 pinos (ou tipos de impressão), representando caracteres dos três alfabetos do Japão mais o alfabeto latino. Todos os tipos são móveis e utilizados para impressão um a um por um mecanismo que retira do estojo o pino a ser impresso e o pressiona numa fita com tinta. Um mecanismo da máquina insere uma haste no sulco do pino para retirá-lo da gaveta e fixá-lo no conjunto de impressão.

A seleção dos tipos requer boa visão em muito conhecimento dos símbolos e ideogramas, bem como de sua localização na planta.   Embora cada caractere em japonês possa ter o significado de uma palavra no caractere latino, a seleção do caractere ou ideograma é como o brinquedo “onde está Wally’, pois deve-se selecionar um entre 2205.

Os três alfabetos em japonês contidos na planta são: Em negrito pertencem ao alfabeto Katakana, os caracteres agrupados sob as letras minúsculas a,b,c,d,e,f,g,h,i e j são do alfabeto hiragana e os ideogramas são do alfabeto Kanji. Nas colunas extremas superior, esquerda e direita encontramos os caracteres latinos e os números arábicos, nossos conhecidos.

O processo de seleção está em um manete, com extremidade vazada, a qual funciona como uma  seta que pousa sobre o desenho do caractere. A perfeita sincronização do estojo contendo os tipos com os desenhos impressos na planta é condição indispensável para bom funcionamento da máquina.

Recebemos os tipos empacotados e tivemos que montar um a um, o que foi uma tarefa quase impossível, mesmo colocados aleatoriamente. Os tipos só podem ser colocados de um modo, com um sulco em meia-lua voltado para frente e em ordem inversa da que aparece na planta. Por estarem em negativo, e serem minúsculos, se torna uma tarefa extremamente demorada.

O sr. Kyota Sugimoto inventou, em 1915, o primeiro modelo de máquina para escrever em japonês usando os ideogramas Kanji. Por sua importância, foi considerada uma das dez maiores invenções japonesas pelo Instituto Japonês de Patentes, durante a celebração do centésimo aniversário do instituto, em 1985.

Data:                   Provavelmente década de 1960 e 1970. Algumas podem ter sido produzidas ainda na década de 1980.

Inventor:             Kyota Sugimoto (1882 – 1972)

Marca:                 Nippon Type

Modelo:              SH-280, lançado em 1929.

Número:             Chasssis 15153, estojo 153350

Empresa:            Japan Typewriter Co. Ltd. (depois Canon Semiconductor Equipment.)

Origem:               Tokyo – Japão

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Falta o manete de movimentação do estojo, que é uma peça fundamental, os roletes das bandejas estão muito danificados, o acionador de liberação do carro está quebrado e faltam 78 tipos de impressão.

Ref.: 152-10

Fontes:
historysanjose.org/wp/the-first-japanese-typewriter-a-100-year-old-mechanical-marvel-with-2450-characters/
alfabetocompleto.com/japones/
blog.gatunka.com/2009/09/30/japanese-typewriters/
 

Calculadora Addo 7 / Addo calculator m. 7 /Addo beräkningsmaskinen modell 7

Quanto queremos digitar, por exemplo, 87 numa calculadora, simplesmente digitamos 8 seguido de 7. Não podemos digitar o 7 primeiro, pois acabaremos por incluir 78 em vez de 87 como queríamos. Para todos é óbvio.

Nesta calculadora produzida pela Addo a forma de introdução dos dígitos segue um conceito diferente: a máquina possui um teclado com as unidades, dezenas, centenas, milhares e assim por diante, começando a unidade na coluna mais à direita. Se quisermos digitar 87, devemos digitar o 8 na coluna da dezena e o 7 na coluna da unidade, em qualquer ordem, podendo-se digitar o 7 primeiro ou o 8 primeiro, cada um na sua coluna.

Mesmo sendo um conceito abandonado, há uma vantagem em relação às calculadoras atuais: ao digitarmos um algarismo, a máquina assume o numeral que está implícito na coluna utilizada. Por exemplo, se queremos digitar 10, basta apertarmos a tecla 1, na segunda coluna da direita para a esquerda. Para digitar 1.000.000 basta digitar 1 na sétima coluna, com o que se economiza o tempo de digitação de 6 zeros…

Evidentemente que uma calculadora mecânica pesando 9 kg, perde longe em usabilidade para uma calculadora virtual que faz parte do celular, sem peso ou, se quisermos ser mais ortodoxos, tem o peso do celular. Mas a comparação é apenas para dar uma ideia e não para definir se uma é melhor que a outra. Cada uma representa sua época.

Essa calculadora imprimia os números utilizados no cálculo, bem como seus resultados, funcionando como memória permanente do cálculo. Isso era muito útil quando se realizavam somas ou subtrações de grandes quantidades de números. Algumas calculadoras eletrônicas ainda possuem essa utilidade.

Seu funcionamento é simplíssimo. Basta apertar as teclas correspondentes ao número a ser operado, puxar a manivela e a calculadora assume que se trata de uma soma. Ao final do curso, o número sairá impresso no papel.  Se queremos fazer uma diminuição, é necessário apertar a tecla (-) antes de puxar a manivela.

A Addo foi fundada em 1918 pelos primos Hugo Agrell e Oscar Printz, na área de Skolgatan, na cidade de Malmö, na Suécia. Em 1966 a FACIT comprou a Addo. Em 1972, o grupo FACIT, incapaz de competir com seus concorrentes japoneses e suas máquinas eletrônicas, foi vendido para a Eletrolux. Posteriormente a Eletrolux vendeu o grupo FACIT para a Ericsson.

Data:                   Provável entre 1930 e 1950

Marca:                 Addo

Modelo:              7

Número:             48.529

Fabricante:         Aktiebolaget Addo (Addo Sociedade Limitada)

Origem:              Malmö, Suécia

Estado atual:     Não funciona. Faltavam algumas teclas e dois manípulos do rolete do papel os quais fiz com durepoxy; a borracha que servia de assento ao conjunto estava totalmente degradada e foi substituída por um componente de madeira produzido gentilmente, pelo Sr. Erni.

Curiosidades:    Dentre vários aspectos destaca-se a existência de um amortecedor para facilitar o uso da manivela. Possui centenas de componentes e somente no seu teclado há mais de trezentos. Um relógio mecânico simples tem aproximadamente 130 componentes.

Fontes:  https://www.catawiki.com/l/20878083-addo-mod-6-calculator

Clique para acessar o Malm-Industristaden.pdf

Ref.: 347-03

Isqueiro / Lighter

O primeiro isqueiro surgiu quando o homem primitivo percebeu que ao golpear certas pedras saiam faíscas com força suficiente para queimar  uma palha.  Deste então incontáveis modelos de isqueiros foram criados.

Este modelo, medindo  74 x 69 x 24 mm, foi personalizado para a empresa Açúcar União a qual oferecia aos seus clientes como brinde. O corpo do isqueiro é também o tambor de combustível que contém buchas de algodão e um pavio cuja extremidade fica na parte superior externa. O combustível penetra no algodão e no pavio que incendeia por uma faísca gerada por uma pedra de isqueiro causada pela fricção de um rolete acionado pelo dedo polegar.

Os isqueiros apresentavam dois logos: a) logo comercial  com uma engrenagem, um archote como eixo vertical, ladeado com as letras E.R, P.R e outros. Segundo um comentário num site, representavam as iniciais dos nomes dos seus fundadores; b) logo com um Pombo estilizado dentro de um escudo. Os logos aparecem em conjunto ou isoladamente nas peças pesquisadas.

O forte da empresa sempre foram as agendas. No entanto, a Rotschild vendia brindes de diversos tipos, que adquirida dos fabricantes para comercialização com sua marca. Exemplos disso são isqueiros, caixas de fósforos, cinzeiros, chaveiros e etc.. A oferta de isqueiros pela Rotschild foi completamente esquecida, provavelmente por ser  um projeto limitado e não representar grande importância nos negócios.

A empresa Ernesto Rotschild foi fundada em 1935 no Brasil por Ernst Günter Rotschild (1906-1974), e por seu irmão Hans Gustav Rotschild (1913-1995). Seus pais foram Siegmund Rotschild e Vally Calmon Rotschild.

Por  serem judeus e devido à perseguição nazista, os irmãos emigraram da Alemanha para o Brasil. Ernst adotou o nome Ernesto e Hans adotou o nome de João.

Pela sua trajetória, Ernesto Rotschild recebeu nome de rua e João Rotschild recebeu nome de praça, ambos na cidade de São Paulo.

Em 1996, a empresa Ernesto Rotschild, foi fundida com a empresa italiana Lediberg, que passou a chamar-se Pombo-Lediberg, e atualmente chama-se Pombo Indústria Comercio e Exportação Ltda.

Data:                1970

Marca:             Pombo

Empresa:         Ernesto Rotschild S/A

Fabricante:       Sem referência

Origem:            Provavelmente importado, onde era incorporado o logotipo do cliente

Estado atual:    Funcional

Ref.: 144-14

Fontes:

https://origemdasmarcas.blogspot.com/2019/11/brindes-pombo-lediberg.html

https://www.eucalyptus.com.br/Eucalyptus+Newsletter54/042_Revista+ANAVE.pdf

https://www.pombo.com.br/institucional/conheca-a-pombo/

https://www.geni.com/people/Ernst-Rothschild/353446084910001754

Aparelho de Ginástica / Gym equipment

A atenção ao desenvolvimento físico do corpo está presente no quotidiano dos povos. No ocidente é praticado há muito tempo, sendo representado na história antiga especialmente por Esparta, com a formação de seus soldados e pela Grécia, com a criação dos jogos olímpicos.

A invenção de aparelhos mecânicos a partir da segunda revolução industrial segue até os dias atuais com refinamentos mais variados possíveis.

Este equipamento portátil possibilitava ao seu usuário a prática de 20 exercícios diferentes, conforme o material explicativo do fabricante.

Pesando pouco mais de 10 kg é dobrável e cabe numa maleta para ser transportado pelo usuário como uma academia móvel.

Componentes do aparelho: Corpo, assento e pedaleiras de alumínio, cordas e cintas de tecido de algodão, roletes e pegadores de madeira, pés de borracha natural e molas e parafusos de aço. A suitcase é composta de lâminas de papelão, a alça é de aço revestida de couro e os reforços, dobradiças e fechos são de aço. Acompanha o conjunto, um elemento fixador em parede, para o uso do aparelho na vertical, bem como um folhetão de instruções sobre o uso do aparelho e o modo dos exercícios.

Esta peça parece ser mais uma das inúmeras iniciativas de inventores cuja empresa se confunde com o produto vindo essa a desaparecer assim que o mesmo não encontra mais interesse pelos consumidores. Procuramos dados do fabricante pela internet e não encontramos registro. O próprio produto não possui registro de patente tornando difícil obter mais informações pela internet, a nossa maior fonte.

Data: Encontramos um vendedor na internet que situa a peça nos anos 1920 – 1930. No entanto, bem poderia ser até 1940. Não acreditamos que seja posterior, pois então seriam usados outros componentes, especialmente os sintéticos, além de que o design também seria outro. Encontramos a referência de um vendedor de que o modelo data  de 1905, no entanto, sem elementos de comprovação.

Nata revista The Notarian, de dezembro de 1930, há um anúncio do aparelho: https://books.google.com.br/books?id=90UEAAAAMBAJ&pg=PA53&lpg=PA53&dq=Health+Developing+Apparatus+Co.

Fabricante do aparelho: Healt Developing Aparatus Co., Inc.

Número de série: 0005539

Origem: Bridgeport – Connecticut – USA

Fabricante da maleta: Fibre Case & Novelty Corp. Esta empresa foi fundada em 1894 e continua atuante nos dias atuais, conforme se observa no seu sitio http://www.fibrecase.com/aboutus.html

Origem: New York – NY – USA

Ref.: 376-17

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Furadeira com controle multifunção / Drill with multi-function control

Foi concebida para trabalhos delicados em madeira, com 28 cm de comprimento, com corpo em liga de alumínio, engrenagens e mandril em ferro e aço, cabos de madeira e capas de acabamento em bronze niquelado.

Seu diferencial em relação a todas as outras furadeiras manuais é um seletor de funções mediante um cilindro com botão que aciona várias funções:

PLAIN – a broca gira no sentido horário ou anti-horário dependendo do movimento da manivela.

L. H. Ratchet – ( Left hand ratchet ) – A broca gira no sentido anti-horário e a manivela gira em falso no sentido horário.

R. H. – ( Rigth hand ) – A broca gira no sentido horário e a manivela gira em falso no sentido anti-horário

R.H. DOUBLE – ( Ratchet hand duble )  – A broca gira sempre no sentido horário, mesmo  girando a manivela no sentido anti-horário.

LOCK – A broca fica travada e a manivela não gira.

No site https://www.timetestedtools.net/2016/07/30/north-brothers-yankee-no-1530a/ encontramos alguns comentários a respeito desse tipo de furadeira. Neste site https://www.tias.com/north-bros-yankee-no-1530a-ratchet-hand-drill-755492.html encontramos mais detalhes. Neste artigo da wikipedia https://en.wikipedia.org/wiki/North_Brothers_Manufacturing_Company encontramos uma boa parte da história da empresa fabricante.

Data:                   Provável anterior a 1947, pois em 1946 a empresa fabricante foi absorvida pela Stanley Tool & Co.

Marca:                 Yankee

Fabricante:         North Brothers Manufactoring & Co.

Origem:               Philadelphia – Pennsylvania – U.S.A.

Curiosidade:      Seu cabo foi objeto de “estudos” por parte de algum pet, resultando na necessidade de obturar os buracos com massa epóxi, para depois receber uma camada de pintura.

Ref.: 374-15

Máquina de matar insetos / Insect killing machine / Insektenvernichtungsmaschine

Por uma rara e feliz coincidência conseguimos montar uma máquina completa de matar formigas, produzida entre o final do século XIX e Início do Século XX. Salvo alguns acessórios como mangueiras, conectores, presilhas e bico de saída, os demais componentes são originais.

Depósito de veneno C. A. Berger

Corpo e tampa em ferro fundido, parafuso do ferrolho e suporte da tampa em ferro forjado à martelo manual, eixos das partes móveis e tarugos de fixação da alça em ferro rebitado,  roscas de entrada e saída medindo ½”-14 e ¾” -14. Esta parte do conjunto pesa 8,6 kg, que somado ao aparato de bombeamento de ar (perdido) deveria pesar ao menos 20kg, nada prático para transportar.

O princípio de funcionamento já foi descrito nesse post, onde mostramos uma peça da segunda metade do século XX:  https://museudosilvio.com/2018/06/17/formigueira-sulphur-bellows-soufflet-a-souffre/.

As inscrições legíveis desta peça nos fornecem algumas pistas:

Sobre a tampa: “DEVASTADORA DOS INSECTOS” e “ C. A. BERGER”

No interior da tampa:    “JOSÉ BECKER e IRMÃO”. Encontramos uma referência a essa empresa na atividade de “estaleiros” em artigo publicado por Evangelia Aravanis – A industrialização no Rio Grande do Sul nas primeiras décadas da República: a organização da produção e as condições de trabalho (1889-1920)

Na parte inferior da peça: “_ _ _ ARIA” “DE” “SCHRODER” provável FERRARIA.  Podendo significar a indicação do tipo de serviço realizado por José Becker e Irmão.

Também pode-se ler “Porto Alegre”, indicando onde foi produzida.

Provavelmente foi produzida no final do século XIX. Em vista que a fundição de ferro iniciou-se oficialmente logo após a vinda da família Real Portuguesa para o Brasil, não se concebe imaginar que na primeira metade do século XIX este aparelho tenha sido produzido, especialmente em Porto Alegre, que ficava muito longe da Coroa. 

Um fator que situa a peça em data posterior a 1860 é que foi na segunda metade do século XIX que se formou uma colônia de imigrantes alemães em Porto Alegre. Considere, ainda, o leitor que o Brasil teve um período de infestação da formiga Saúva (cortadeira), no século XIX, exigindo a criatividade dos brasileiros para resolverem esse problema. A frase “ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil” é atribuída ao naturalista francês Auguste Saint-Hilaire que realizou expedições no Brasil naquela época.

Uma publicidade de 1899, do Rio de Janeiro, dá conta de uma máquina de matar formigas tendo esta peça similaridade com um dos componentes daquela máquina.

A grafia “insectos”, embora abolida no acordo de 1990, na prática, teria sido abolida já em 1943. Então, pode-se situar a peça em data anterior a 1943. Mas quanto tempo antes? Em vista do peso e dos materiais utilizados, não imagino que seja posterior a 1910.

Data:                  Provavelmente entre 1860 e 1910

Origem:             Porto Alegre – RS – Brasil

Fabricante:         C. A. Berger deve ter produzido o conjunto

José Becker & Irmão deve ter fundido o corpo e a tampa

Estado atual:     Não testado.

Curiosidade:      No museu municipal de Itaúna-MG, há uma máquina equivalente, quase completa (falta o acessório de saída), conforme se pode ver nessa foto: https://www.itauna.mg.gov.br/imgeditor/file/maquina_matar_formiga.pdf

Ref.:      369-12-A

Bomba de ar Bataillard

Esta bomba de ar foi produzida pela Empresa Formicida Bataillard Ltda. Em 1892 essa empresa obteve a patente da “mistura formicida Bataillard”. Em 1905 funcionava na Rua 15 de Novembro – Galeria Cristal, n. 7. Com a caixa postal n. 521. São Paulo – SP.  Em junho de 1908, mudou-se para a Rua Quintino Bocayuva, 31-A, na mesma cidade. Em abril de 1936 situava-se na Rua Florêncio de Abreu, n. 103, 135 e 184, também em São Paulo-SP.

Esta peça foi produzida em algum momento entre 1892 e 1920. Estrutura em ferro laminado em T, com haste de bombeamento em ferro forjado, seu conjunto está fixado por rebites, significando que não houve processo de soldagem dos componentes, nem uso de parafusos. Isso leva a idade da peça para o início do século XX.

Curiosidade: Na publicidade de 1905 consta “apparelho melhorado”, mostrando o tambor de veneno com um manete que se parece a uma bomba de ar. Na verdade, a bomba de ar maior não possuía capacidade suficiente para bombear o veneno para o interior do formigueiro, requerendo a “melhoria”, de incluir um bombeamento adicional no tambor.

Modelo: Typo 3

Número: 7661

Ref.: 369-12-B

Diastímetro / Gunter’s measurement (land chain)

Simplesmente corrente para medição horizontal de um terreno inclinado. Instrumento utilizado por agrimensores. Foi introduzido pelo cientista Inglês Edmund Gunter em 1620.

A superfície de um terreno inclinado corresponde à hipotenusa de um triângulo retângulo, Já a medida horizontal corresponde ao cateto adjacente e a parte mais alta do terreno ao cateto oposto. (hummmm… então é por isso que tínhamos aquelas aulas de trigonometria)

A utilidade desta medição é que permite saber a medida horizontal possível de ser obtida com o terreno (cateto adjacente). Por exemplo, o comprimento máximo de uma edificação corresponde cateto adjacente, pois se fossemos considerar a hipotenusa (a medida do terreno inclinado), o edifício não caberia naquela área, pois por óbvio, a hipotenusa é maior que os catetos.

Toda em aço e com seções em bronze, foi sucedida por trenas com fitas de pano ou aço, depois por teodolitos óticos, depois por teodolitos eletrônicos e provavelmente já foram substituídos por algum aplicativo de medição por satélites.

Para obter uma descrição mais técnica do seu funcionamento, o prezado visitante pode acessar este site que trata de topografia e dos instrumentos utilizados nessa atividade. https://sites.google.com/site/monitoriaativa/home/topografia?tmpl=%2Fsystem%2Fapp%2Ftemplates%2Fprint%2F&showPrintDialog=1.

No artigo a seguir há uma boa descrição da história desse invento: https://en.wikipedia.org/wiki/Gunter%27s_chain

Sem data. Possível entre início do século XIX e início do século XX. Neste site encontramos um anúncio de 1876 sobre a peça: https://www.gracesguide.co.uk/File:Im1876POWor-Chest2.jpg

Fabricante: James Chesterman and Co.

Marca:  Chesterman

Origem. Shefield, Inglaterra.

Estado atual: Funcional.

Futuro desta utilidade: substituída por medições eletrônicas

Espremedor – extrator de polpas – de frutas / Obstpresse Alexanderwerk

Mesmo fábricas renomadas, como a Alexanderwerk, fundada em 1885 ainda em operação, não mantém acervos acessíveis sobre os produtos que saíram de linha. É o caso deste espremedor de frutas, anunciado em um site de compras internacional como “moedor de carne”. A singela observação dos componentes, aliado a um pouco de conhecimento sobre como moer carne será suficiente para notar que esta peça tem outra finalidade. Experimentamos espremer um limão. O resultado foi desastroso para o limão, pois o bagaço foi expelido pela abertura frontal e o suco caiu pela abertura inferior misturado com um pouco de polpa, fato que requereria se coasse o suco.

Para mim, este é um extrator de polpa de cerejas, cujo processo resulta no caroço sendo expelido pela abertura frontal e a polpa com suco, despejado na área inferior, matéria prima para a produção de doce. No entanto, pode ser utilizado para extrair cascas e sementes de uvas, moer moranguinhos, espremer maracujá para fazer suco, bem como outras frutas pequenas ou macias de quem se quer obter a polpa e o suco.

Todo em ferro fundido, com cabo da manivela em madeira. 

Ao ser adquirida faltava a manivela e o parafuso regulador de saída frontal de bagaço ou caroço. Estava em ferro nu, o qual pintamos com tinta em alumínio para preservar contra a oxidação. Há traços de estanho na peça e que pode ter sido o metal utilizado, na época, para proteção contra oxidação.

Data:                     Provável entre 1899 e 1940

Origem:               Frankfurt – Alemanha

Marca: Alexanderwerk

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Ref.: 370-14

Batedeira doméstica / Domestic mixer

Esta curiosa peça em alumínio, bronze, ferro, aço e plástico possui um conjunto de engrenagens que fazem girar dois batedores a partir do movimento de uma manivela.

Sua finalidade é a de sempre: bater certos insumos para misturar e servir como insumo para um produto mais elaborado, como por exemplo, bater ovos ou claras para fazer tortas.

Para funcionar bastava colocar o insumo a ser batido no tambor, acoplar a tampa com os batedores nos suportes corretos, apertar as porcas e girar a manivela. Cada volta da manivela faz girar duas vezes os batedores, um em sentido contrário ao outro, portanto, um giro da manivela representa quatro giros dos batedores. Isso significava aproximadamente 320 batidas por minuto em movimento normal, portanto bem mais rápido e menos cansativo que usar uma colher ou um batedor de ovos tipo espiral.

A produção da peça requeria moldes para peças de plástico, moldes para fundição de bronze com peças de ferro encravadas, placa de aço estampado com dois apliques de aço, alumínio repuxado, engrenagens e porcas torneadas, niquelagem ou estanhagem de componentes, rebitação de componentes e vários parafusos de fixação. Portanto, sua produção não era das mais simples, representando custo de produção significativo. Para complicar, a limpeza dos batedores não garantia a melhor assepsia, podendo gerar alguma contaminação dos insumos. Por estas razões, creio que a peça não obteve muito sucesso, pois competir com batedeiras multifuncionais elétricas, de fácil limpeza e de belos designs, inviabilizaria o produto.

Falta o fixador da batedeira. Faltava a capa de proteção às engrenagens, a qual produzimos com durepoxi. A tampa do tambor não é original, também foi feita artesanalmente por outra pessoa bem antes de ser adquirida para o Museu.

Sem marca nem origem, provavelmente da década de 1970, mais tardar 1980 e produzida no Brasil, por mais um dos tantos brasileiros criativos que encontramos.

Estado atual: Funcional demonstrativo

Ref.: 372-14

Restauração de objetos / Restoration of objects

Noutro post me referi ao processo de preservação de memória como um ato político e voluntário (https://museudosilvio.com/2019/09/07/a-respeito-dos-estilos-about-styles-a-propos-des-styles/).  Avançando na análise, o processo que se define comumente como restauração, muitas vezes trata-se de reforma total ou parcial que altera a natureza do objeto.

Nenhum juízo de valor atribuo a qualquer decisão, mesmo a decisão de reciclar objetos ou mesmo destruir objetos culturais. Afinal, se o processo de preservação de memória é um ato político e voluntário, a não preservação ou mesmo sua reciclagem ou destruição estão no mesmo conjunto de ideias.

O próprio sentido de restauração, como o de preservar o objeto guardando seu significado, em longo prazo torna-se impossível em vista do processo natural de entropia que ocorre conforme a segunda lei da termodinâmica.

Seguindo a mesma ideia, aqui no Museu estabeleci (para mim mesmo) que Restauração constitui-se num conjunto de atos que visam a preservar ao máximo possível a identidade, a funcionalidade e a constituição do objeto quando de sua produção e uso. O sentido de possível inclui as condições em que se encontra o objeto, o tempo disponível para restaurar e os meios físicos, materiais, equipamentos e tecnologia, e meios financeiros disponíveis. Portanto, nosso propósito não é tornar a peça nova, nem bonita, nem a de preservá-la como encontrada, mas sim devolver, caso tenha perdido, sua identidade quando produzida e utilizada.

Quando adquirimos uma peça sempre nos perguntamos: Para qual finalidade o objeto  foi produzido? Quais são ou foram os materiais utilizados para produzir a peça? Em qual condição se encontra a peça? É necessário realizar alguma interferência? Qual interferência deve ser realizada? Há componentes de época compatíveis no mercado?

Consideradas essas variáveis, passa-se à decisão do que e como proceder. Cada peça corresponde a um projeto único e diferenciado e requer decisões as mais variadas sobre limpeza, retirada de pátina ou de sua manutenção, pintura ou não, desmonte, estado dos componentes, restauração ou substituição de componentes, produção ou compra de componentes faltantes, uso de produtos químicos, e tantas outras decisões que no conjunto tem que atender ao princípio utilizado aqui como conjunto de atos que visam a preservar ao máximo possível a identidade, a funcionalidade e a constituição do objeto quando de sua produção e uso.

Ferramenta para furar azulejo / Tile drilling tool

Quem não gosta de ver um revestimento cerâmico perfeito numa parede, com aquele acabamento que mais parece ter sido feito inteiro numa fábrica e aplicado sobre a parede com os registros e demais metais?

Este aparelho tem a função fazer furos perfeitos em azulejos, para qualificar o acabamento. Tem a mesma característica de um arco de pua ou de uma furadeira. Para funcionar coloca-se o material a ser perfurado na base. Sobre o azulejo é encaixada uma serra copo diamantada. Feito o encaixe, libera-se o afastador para que a serra fique firme sobre o azulejo. Após, basta girar a manivela, que fará girar a serra sobre o azulejo, perfurando-o.

Esta peça é anacrônica, visto não se encontrar mais unidades novas à venda. Porém, possui uma vantagem muito importante: não necessita de eletricidade para ser movimentada, bastando a força manual.

Com marca “Fermat”, talvez em homenagem ao matemático francês que viveu no século XVII, provavelmente fabricada no Brasil na década de 1970, não depois, nem muito antes.

Estado atual: Funcional demonstrativo.

Obs.: A peça sofreu interferência anterior pois um componente de madeira entre a base e o braço não é original. Também havia pintura não original na base. Faltavam a broca, que colocamos nova. Falta um componente que era fixado em quatro furos na base, e presumimos servia para ajustar e fixar o azulejo a ser furado.

Ref.: 368-15

Tesoura de jardim com bigorna / Cizalla com yunque / Amboss-Schere

Segundo se pode ver em diversos sites, em 2020 a população urbana mundial era de 4,4 bilhões de pessoas, equivalendo a 56% do total, devendo alcançar 70% da população vivendo em áreas urbanas em 30 anos.

Desta forma, por viverem nas cidades, muitas pessoas não usam certas utilidades específicas como por exemplo as ferramentas de jardinagem.

Esta tesoura tem uma lâmina e um batente (ou bigorna), fato que a diferencia das tesouras para tecido ou papel que possuem duas lâminas.

Presumo, pois não tenho certeza, que a finalidade do batente é servir de apoio para que o processo de poda não cause um dano maior à parte podada.

Esta peça foi feita em aço niquelado, com batente em alumínio. Seu design é atual, porém as de agora são mais leves e seus cabos são mais anatômicos, revestidas com um tipo de material que facilita o contato com a mão.

Origem:               Argentina

Marca:                 Original

Modelo:              970 ZAIN.

Estado atual:     Funcional, porém a mola de abertura do cabo está quebrada e falta o componente fecho de segurança.

Ref.: 367-12

Algumas ferramentas / Same tools

Como se observa, todas as ferramentas que aparecem nessa foto são articuláveis, ajustáveis, por algum mecanismo. Os mais simples são as peças n. 2, 4 e 9. A peça mais complexa, que requer três ajustes, é a de número 7. Eram comuns na sua época, no entanto, agora outras fazem a mesma função mediante modelos e materiais diferentes. Da esquerda para a direita, encontramos identificamos sua utilidade:

1- Chave regulável para uso frontal ou lateral

2 – Alicate para dobra de fios em eletricidade

3 – Tesoura de jardim com bigorna

4 – Ferramenta multifunção para uso doméstico

5 – Chave rabo-de-cobra pequena (não entendo como uma peça com essa qualidade foi descontinuada)

6 – Grinfo pequeno para hidráulica

7 – Travador de serrote

8 – Compasso para marcar metais ou madeira

9 – Ferramenta multifunção para uso doméstico

10-Travador de serrote

11-Chave regulável bico-de-papagaio para hidráulica

Indicador de nível de água / Whater level indicator

Ainda se encontram muitos desses tipos de acessórios no mercado, aliás, indispensáveis para se identificar os volumes mínimos e máximos de água em um recipiente cujo interior não é visível.

Pode ter sido parte de um locomóvel ou de outro equipamento que usa água para obtenção de vapor ou para resfriamento.

Possui dois registros que funcionam de forma independente, um para a entrada da água, outro para a exaustão do conteúdo. Permitia ao operador um certo domínio sobre o volume de líquido do contendor.

Este é o caso de um total mistério, pois não há nenhum indicativo de data, origem, marca ou fabricante. Mesmo bem elaborada, deve ter sido produzida pelo fabricante de um equipamento maior que a considerou como simples componente que não necessitava de identidade, pois não era vendida separadamente.

Ref.: 365-09

Colher de sorvete / Ice cream spoon

Esta é uma peça muito interessante, pois é feita em bronze, com cabo de madeira. O corpo e demais componentes foram fundidos em moldes.  Essa técnica não tem o menor sentido na atualidade, portanto, pode-se situar sua data na primeira metade do século XX. Por não possuir nenhum componente de alumínio ou plástico, bem como não haver traços de niquelagem ou de cromagem, pode-se inferir que foi produzida antes de 1940.

A mola de retorno do extrator do sorvete fica dentro do corpo do eixo principal, evidenciando um certo requinte.

Na atualidade encontram-se inúmeros modelos de colheres de sorvete, com materiais como acrílico, plástico, inox e algumas em alumínio. Portanto, essa peça não faz mais parte do quotidiano por causa dos materiais utilizados na sua fabricação, uma vez que sua utilidade permanece atualíssima.

Data: Ente 1900 e 1940

Marca: Ideal

Modelo: 2

Origem: É possível que tenha sido feita no Brasil ou importada da Inglaterra ou dos Estados Unidos, pois a palavra “ideal” tem o mesmo significado em inglês.

Estado atual: funcional demonstrativo.

Curiosidade: Como se observa, esta é uma peça feita para ser acionada pela mão direita. Na atualidade os fabricantes procuram desenvolver mecanismos de utilização ambidestra.

Ref.: 366-14

Torrador de café / Coffe roaster

Como já vimos noutros posts, o gostoso cafezinho que saboreamos é decorrente de vários processos anteriores que podemos simplificar da seguinte forma: descascamento, secagem, torração, moagem e preparação.

Este aparelho elétrico-mecânico tem por finalidade torrar o café. Dentro há um cilindro contendo uma resistência elétrica a qual, aquecida, transmite calor para dentro do tambor que contém os grãos de café. O usuário gira o tambor com o movimento da manivela para que os grãos torrem uniformemente.

Como se observa, é um aparelho para uso doméstico, em fazendas.

Data: O aparelho é das décadas de 1970/80, mas ainda encontram-se peças novas no mercado.

Fabricante: Fábrica de Aparelhos Elétricos F. Canhos (de Francisco Canhos, inventor. Para conhecer mais sobre o inventor, clique aqui: http://pobresjornalistas.blogspot.com/2011/12/as-200-patentes-de-um-jauense.html)

Origem: Jaú, São Paulo – Brasil

Estado atual: Não testado.

Ref.: 362-12

Passadeira automática / Unusual clothes smoothing

Esta é uma peça incomum. Foi produzida localmente, sendo um produto inédito na época. Toda em madeira, exceto por dois pequenos componentes de plástico e uma alça de ferro.

Possui rodízios para o usuário mover a peça, tem cabideiro acoplado, dois suportes para colocar acessórios de roupa como por exemplo, abotoaduras, prendedores de gravata, pendentes, alfinetes e linhas. Possui duas almofadas para acolher a roupa a ser passada.

Para funcionar basta introduzir cuidadosamente a peça de roupa entre as almofadas, fechar delicadamente a almofada móvel e ligar o interruptor de energia esperando algum tempo até que o calor realize seu trabalho.

Supostamente esse equipamento se destinava a eliminar o trabalho de passar roupas para quem não dispunha tempo ou habilidade. Devido a sua característica, deveria ser para uso doméstico de homens solteiros.

Data:                Provavelmente décadas de 1960 ou 1970. Conforme o número de telefone que constava no selo.

Origem:           Porto Alegre – RS – Brasil

Marca:             ICESUL

Fabricante:      ICESUL – Industrial Contemporânea Sul Móveis e Mod. Ltda. A empresa funcionou até aproximadamente o ano de 2005.

Estado atual:    Não testado.

Ref.: 343-14

Desnatadeira / Milk cream separator / Separatore di crema / Écrémeuse

O processo de separação da nata do leite é tão antigo quanto a primeira ordenha realizada com a domesticação do gado. E continuará existindo enquanto a humanidade consumir leite e seus derivados. O que mudará será a técnica de separação da gordura e do soro.  Atualmente é realizado em escala industrial onde milhões de litros de leite são processados diariamente.

Em vista do processo de especialização, há rara demanda de desnatadeiras manuais para residências ou pequenas fazendas, mas ainda são encontradas peças novas elétricas no mercado.

Esta peça funciona com quatro movimentos diferentes: movimento da manivela, centrifugação, densidade e gravidade:  o movimento de manivela aciona quatro engrenagem que realizam rápido movimento giratório em um conjunto de cones encaixados, onde cai o leire, proporcionando a separação da gordura e do soro e os conduz para funis individuais por diferença de densidade sendo que a gordura, mais leve, fica acima do soro portanto no funil superior e o soro que é mais denso, vai para o funil inferior. A desnatadeira contém um sistema de catraca o qual evita que a manivela continue girando por inércia.

Faltam várias componentes: eixo vertical com engrenagem, haste com tampa do ralo do tambor, conjunto de fixação dos cones, funis de saída de nata e de soro, chave para aperto do fixador dos cones. A engrenagem de bronze, que dá velocidade aos cones, está com os dentes espanados requerendo substituição.

Esta peça foi importada e comercializada pela Cia. Fábio Bastos, Comércio e Indústria, que iniciou suas atividades na década de 1929. Neste site encontramos uma foto de uma das instalações da empresa: https://www.mariadoresguardo.com.br/2015/03/cia-fabio-bastos-em-fevereiro-de-1958.html. Encontramos informações contraditórias sobre o ano de encerramento das atividades, mas consta que teria sido decretada sua falência em 1973.

O vídeo adiante mostra a montagem e o funcionamento de uma desnatadeira manual: https://www.youtube.com/watch?v=rwAYJyuqBM0

Data:                     Provável década de 1940 ou anterior

Origem:               Suécia

Marca:                 Rose

Modelo:              Rose 14

Fabricante:         Alfa Laval (por dedução da relação da Cia. Fábio Bastos com a Alfa Laval)

Estado atual:     Não funciona. Faltam componentes.

Ref.: 362-14

Fatiador de vagem / Green bean slicer

A criatividade humana no período de 1850 a 1950 para inventar soluções mecânicas para as necessidades reais ou imaginárias foi riquíssima. Qualquer tipo de trabalho manual para qualquer atividade sempre encontrou alguém pensando em substitui-lo por alguma facilidade.

Imagine cortar vagens de feijão com uma faca em fatias fininhas. Pois é certamente trabalhoso. Então a inventividade humana entra em ação e produz um fatiador de vagens movido à manivela que corta em pedaços iguais e perfeitos em menos tempo e com menos trabalho.

Este fatiador foi produzido em ferro fundido e aço. Para utilizar basta prendê-lo na borda de uma mesa, introduzir a vagem no orifício superior e girar a manivela, o que fará as lâminas agirem sobre a vagem e fatiá-la.

Data:                     Provável início do século XX, mesmo com indicações na internet de data posterior.

Origem:               Alemanha

Marca:                 Pe. De.

Fabricante:         Peter Dienes (fundada em 1869 e extinta em 1962)

Estado atual:     Funcional. O vídeo adiante mostra um desses em uso: https://www.youtube.com/watch?v=kdktQc_JA-I

Curiosidade:      O mordente inferior para fixação na mesa é insólito, pois é preso no corpo do fatiador, tendo mobilidade por um eixo, enquanto a grande maioria dos demais mordentes é feita de uma arruela presa na ponta do parafuso de aperto do corpo.

Ref.: 361-14

Panela polenteira / Polenta pot

Se há uma dificuldade, sempre haverá alguém inventando uma facilidade. O milho moído in natura é utilizado para fazer a polenta, que nada mais é que milho moído cozido temperado. Embora a receita seja simples, o processo de cozimento requer um cuidado especial para não se criarem bolotas não cozidas, bem como evitar que a farinha grude no fundo da panela e queime. Como isso é resolvido? Mexendo, mexendo, mexendo, mas isso é um trabalho ao mesmo tempo cansativo e um pouco insalubre pois exige a proximidade do fogão.

Então os criadores de facilidades entram em ação. Uma máquina de mexer polenta manualmente evita o cansativo uso da colher de pau e o substitui por um simples girar de manivela. Mas isso foi substituído por mexedores elétricos, onde um motor substitui a manivela e pela forma ainda mais moderna que é comprar a farinha de polenta pré-cozida e, para os que tem menos tempo, comprar a polenta cozida e fritinha no supermercado.

Feita em ferro fundido, com cabo de madeira. Toda panela de ferro requer uma limpeza antes do uso e após o uso, além de limpa deve ser “curada”, ou seja, preparada para não oxidar. Se você quiser saber como curar uma panela de ferro basta usar esse argumento e encontrará vários vídeos no Youtube sobre como proceder.

Sem data, marca ou origem, pode ter sido produzida no final do século XX, provavelmente no Brasil cuja técnica de fundição é amplamente dominada.

Estado atual: funcional.

Curiosidade: quem nunca comeu uma galinhada feita em panela de ferro não sabe o que está perdendo…

Ref.: 360-14

Calculadora Brunsviga 15 / Brunsviga 15 calculator

Esta é mais uma calculadora da família pinwell (cata-vento) cuja ideia inicial surgiu com a calculadora Original Odhner.

Além das quatro operações, possui as seguintes funções facilitadoras: visor do valor selecionado, acionador único para mover o carro, transferidor de resultado para o seletor e zerador do seletor. Seu nome indica que pode calcular resultados com até 15 dígitos, portanto, um número de 999.999.999.999.999, ou seja, faltando uma unidade para 1 quatrilhão. Portanto foi útil para matemáticos, físicos, ou engenheiros, pois no comércio da época dificilmente se fariam contas que envolvessem tais grandezas.

Produzida em aço, alumínio, bronze e baquelite, seu peso não era seu melhor aliado pois, com aproximadamente 12 kg incluindo o suporte de madeira, não era algo que pudesse ser movido com facilidade.

Com intrincada engenharia e muitas funções interdependentes requer ajustes precisos para funcionar. Por exemplo, existe um travador da função de Zeramento do Contador o qual é acionado durante o giro da Manivela de Operação. No entanto, caso o giro do eixo do contador resulte numa diferença maior que 0,3 milímetro da posição correta do travador, este trancará o zeramento e todas as funções dependentes dele, inutilizando a máquina para uso até receber manutenção.

Data:                     Década de 1930

Origem:               Alemanha

Marca:                 Brunsviga 15

Número:             141034

Fabricante:         Grimme Natalis & Co. (1871-1959). Seu representante no Brasil foi a Casa dos Presentes Ltda – Otto Schloenbach Filho

Estado atual:     Funcional demonstrativo, porém não calcula corretamente devido grandes folgas nas engrenagens e eixos.

Curiosidade: esta é a máquina em pior estado já adquirida pelo Museu.  Deve ter sofrido quedas, recebido golpes, teve manivelas forçadas, teve o desgaste pelo uso e ficou depositada em lugares insalubres resultado folgas em vários eixos, componentes descentrados, quebrados, entortados, sujos com terra, com ferrugem generalizada e tinta descascada. Estava com TODAS as peças móveis travadas. Esta máquina deve ter sido descartada há décadas, pois não possuía mais conserto, no sentido de torna-la utilizável. Mesmo assim, foi possível recuperar algumas funções.

Conforme o site adiante, foram produzidas cerca de 7.470 dessas máquinas. Poucas sobreviveram ao tempo. https://www.arithmeum.uni-bonn.de/sammlungen/rechnen-einst/objekt.html?tx_arithinventory[object]=1099

Aqui vemos um anúncio dessa máquina no Correio Paulistano, ano 1936, obtido no site http://memoria.bn.br/DocReader/Hotpage/HotpageBN.aspx?bib=090972_08&pagfis=11075&url=http://memoria.bn.br/docreader#

Ref.: 354-03

Grampeador / Stapler ACME Sure Shot

Este grampeador feito em aço, com acabamento em níquel, parece com uma pequena máquina de costura. Comparado aos modelos aduais é bastante pesado, porém, ainda poderia ser útil em escritórios, cartórios e outros locais que exigem a união de muitas folhas de papel.

Seu funcionamento é igual ao de qualquer grampeador: Insere-se o pente de grampos que ficam pressionados por uma mola contra a parede de saída. Com uma pressão adequada um grampo é liberado e pressionado contra as folhas de papel e, depois de atravessá-las, é pressionado contra um pequeno molde que torce as pontas para dentro.  Portanto, os grampeadores atuais tem uma tecnologia centenária.

Neste site encontramos a história do fabricante e deste modelo de grampeador: https://americanstationer.wordpress.com/2014/06/09/acme-sure-shot-stapler/

Data:     Pode ser anterior a 1950

Origem: Estados Unidos

Empresa: Acme Staple Company

Estado atual: Não testado por falta de grampos da medida exigida para o modelo.

Futuro dessa utilidade: continuará em uso tanto nas residências quanto nos escritórios, embora com menos intensidade.

Curiosidade: O Sr. Gino, do Galeão Espanhol, considerou uma contribuição em virtude do preço que considerou módico. Então, fica registrada sua contribuição. Na foto, Sr. Gino com a peça:

Ref.: 359-10

Esmeril Carborundum / Emery hand-cranck

Carborundum é uma marca americana centenária relacionada a lixas, afiadeiras, e demais instrumentos abrasivos.

Este esmeril manual, patenteado em 17 de outubro de 1911, sobreviveu ao tempo embora com as peças de apoio faltando e com o eixo do rebolo em mau estado, sendo substituído.

Com o corpo em ferro fundido, com detalhe para fixação à beira de uma mesa, era uma ferramenta muito prática e útil, podendo ser utilizado em oficinas, em fazendas, ou mesmo para afiar utensílios domésticos. Sua utilidade se salientava por funcionar à manivela, não necessitando de fonte adicional de energia além da força humana. Sua relação de engrenagem x eixo, permite um manivelar macio e leve, sem necessidade de esforço físico.

Na plaqueta de bronze consta “Hardest Sharpes”, querendo dizer o fabricante que o rebolo era de alta qualidade.

Data:                     Provável Entre 1911 e 1950.

Origem:               Estados Unidos

Marca:                  Carborundum

Modelo:              NIAGARA 2-75

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Futuro desta utilidade: Desaparecimento, substituída por amoladores elétricos.

Ref.: 358-15

Aparelho de arqueação (esticador) de fitas de embalagem / Bandautomat

Fabricado pela Borbe-Wanner AG, na Suíça, no cantão de Dietikon, situado na rua Silbernstrasse 14, onde atualmente funciona a empresa Orgapack, que é subsidiária da empresa Krown, atualmente com sede na Pensilvânia (USA).  Provavelmente a Borbe-Wanner é ou foi subsidiária da Orgapack, ou foi incorporada por ela.

Sua finalidade é de fixar embalagens com fitas de aço. Possui os movimentos a saber: liberador e ajustador de fita acionados por um manete, esticador de fita acionado por uma alavanca, depósito para inclusão as presilhas acionado o por um pino móvel e alavanca para fixar as presilhas na fita acionado por um manete.

Corpo em alumínio fundido, base em ferro fundido, componentes em aço, alumínio e plástico. Embora com aparência simples, possui mais de cem componentes. O manete de fixação das presilhas e seu parafuso de fixação bem como a mola de retenção do ajustador de fita não são originais, os quais se perderam no tempo, o que deve ser o motivo do descarte para empresa recicladora.

Data:     Provável anterior à década de 2000

Origem:               Suíça

Fabricante:         Borbe-Wanner AG

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Doação: Sr. Márcio

Ref.: 357-05

Alargador de ourivesaria / Ring stretcher

Algumas utilidades manuais mecânicas são muito específicas. Tal é o caso desse alargador cuja finalidade é de aumentar o diâmetro de alianças ou anéis, sem a necessidade de cortar e incluir mais material no objeto.

Joias em geral usam metais nobres, como ouro e prata, cuja maleabilidade a frio permite algum tipo alteração sem causar danos.

Para utilizar basta escolher o aro adequado ao contorno da joia, marcar a área que será esticada, fixar a joia e realizar um movimento cuidadoso para direita-esquerda algumas vezes e testar para ver se o diâmetro ficou do tamanho adequado. Deve-se ter o cuidado de não alargar demasiadamente porque não é possível realizar o processo inverso

No vídeo adiante você pode ver como funciona: https://www.youtube.com/watch?v=ebJE1uqYCns

Data: Provável anterior à 1980.

Origem: Japão

Marca: MKS

Estado atual: Não testado

Futuro dessa utilidade: deverá ser mantida, porém com ferramentas mais evoluídas.

Ref.: 355-20

Calculadora Walther/Walther calculator

Essa calculadora pertence a um modelo comercial que foi muito comum na Europa. É mais uma das inúmeras clones da Original Odhner de 1873, com o tempero do fabricante do momento pela adição de certas funcionalidades. 

É operada apenas com a mão direita. As laterais são de alumínio injetado servindo também de suporte para as peças internas, tudo visando a otimização do uso de materiais e a consequente redução de custos.

  • Funções:
  • Quatro operações fundamentais: adição, subtração, multiplicação e divisão
  • Entrada para valores com centavos em valor de até 99.999.999,99
  • Contador com até 8 dígitos em valor até 999.999,99 ou 99.999.999
  • Resultado com até 16 dígitos em valor até 99.999.999.999.999,99
  • Alavanca para limpar as entradas
  • Botão para destravar as alavancas limpadoras de entrada
  • Alavanca individuail para avanço do carro dígito a dígito
  • Alavanca individual para retrocesso do carro, dígito a dígito
  • Função retrocesso do carro na mesma alavanca zeramento
  • Alavanca de bloqueio do retrocesso automático do carro ao realizar o zeramento
  • Botão para acionar o zeramento em separado do contador, do resultado ou de todos ao mesmo tempo.
  • Acionamento automático do contador para adição ou para subtração
  • Alavanca para retrocesso total do carro
  • Pino para o empurrar o carro para o avanço total (equivale à função de colocar um aparelho em modo suspenso)
  • Marcadores para identificar resultado em valores com centavos ou com números inteiros separados em milhares
  • A função contador permite saber a quantidade de parcelas de uma soma, a quantidade de parcelas de um subtotal, o multiplicador e o quociente
  • A função resultado permite saber o total, o saldo e o resto

Embora sua aparência não esteja boa, a máquina está plenamente funcional.

Ano:                     1935-1960

Modelo:               WSR-160

Origem:               Niederstotzingen – Alemanha

Estado Atual:      Funcional

Patentes de:        Carl Walther (1932 e 1935) e Original Odhner.

Ref.: 151-03

Ratoeira / Mouse trap

Esta ratoeira artesanal foi produzida para pessoas que pretendem se livrar do animal sem lhe causar maiores danos.

Desta forma, em vez de morrer com uma pancada, o roedor fica preso até ser liberado em local diferente do que estava habituado a frequentar.

Sem marca, nem origem, nem data, em vista de certos detalhes pode-se inferir que é do final do século XX ou mesmo recente, pois ainda se encontram essas ratoeiras à venda em certas lojas.

Para funcionar bastava colocar a isca no suporte e prender a alça da tampa na parte superior do suporte.

Ainda se encontra nos mercados, em produção industrial, esse tipo de utilidade.

Futuro dessa utilidade: indefinido

Ref.: 352-12

Travador de serrote / Saw set

Este travador, difícil de encontrar à venda mesmo usado, com características estranhas, tem uma funcionalidade mais restrita que os anteriores. https://museudosilvio.wordpress.com/2017/05/31/travador-de-serrafita/

Neste caso há apenas a regulagem do ângulo de dobradura do dente do serrote, exigindo do usuário o posicionamento no dente e a calibração da profundidade do dente a cada movimento.

Utilizado para serrotes de dentes pequenos.

Sem data nem origem.

Marca:  GH, com logo GH entre uma âncora e todos dentro de um coração.

Estado atual: Funcional

Curiosidade: Foi adquirido como ferramenta de ourives.

Futuro dessa utilidade: Desaparecimento devido ao custo irrisório de reposição dos serrotes.

Ref.: 349-15

Rádio RCA Victor

O aparelho de rádio foi uma utilidade indispensável para toda humanidade até o surgimento da Internet. Portanto, reinou absoluto no período 1920-1990 aproximadamente. Pode-se argumentar que a TV competiu seriamente com os aparelhos de rádio, porém, a internet os substituiu.

Este adorável radinho, em plástico rosa, era feminino numa época onde as mulheres eram mais valorizadas do que na atualidade (embora muitos dizem o contrário). Foi presenteado à Senhora Sílvia Sandi Freitas de Jesus pelo seu esposo.

Todo valvulado, funcionava à energia elétrica de 110 volts. Observa-se que foi anterior à época do transístor, que por sua vez é anterior ao circuito integrado, que por sua vez é anterior à virtualidade.

Sua capacidade limita-se à captação das estações de rádio locais. Para a época, seu tamanho era diminuto.

Para funcionar bastava conectá-lo na tomada, ligar o rádio esperar que as válvulas aquecessem, o que poderia levar um minuto ou mais. Depois bastava girar o botão do dial até encontrar a estação de rádio desejada.

Data:     Consta escrito à mão na proteção traseira o ano 1946, o que lhe garante a “certidão de nascimento”, embora tenha sido produzido também na década de 1950.

Marca:                  RCA Victor

Origem:               São Paulo – Brasil

Fabricante:         RCA Victor Rádio S/A.

Estado atual:     Não testado.

Doado por Dona Bernardete

Curiosidade: O prédio onde funcionou a RCA, na Av. Eng. Billings, 2299, em Jaguaré, São Paulo, ainda existe e sua fachada sofreu poucas modificações.

Futuro dessa utilidade: Substituída por rádios eletrônicos, como por exemplo, os celulares.

Ref.: 351-19

Arco de Pua / Carpenter hand brace / Brustleier Zimmermann

As primeiras furadeiras foram feitas com madeira e ponta de pedra.  Mas com o correr do tempo essas ferramentas foram evoluindo.

Aqui temos um modelo de arco de pua muito simples, onde se encaixa a broca no suporte e fixa-se a mesma com um parafuso.

Para funcionar, basta encaixar a broca no arco, posicionar no local da madeira onde se quer furar e girar o arco.

Marca: H & R Boker (JW ROSS H & R Boker D Pattberg) ou um clone

Origem: Alemanha ou Estados Unidos

Data:     Provável entre segunda metade do século XIX e primeira do século XX.

Estado atual:     Funcional. O cabo do arco, em madeira, estava em muito mau estado e tivemos que fazer alguns reparos. Como havia muitos pontos de ferrugem no corpo de metal, não foi possível preservar a pátina.

Futuro dessa utilidade: Substituído por furadeiras elétricas.

Ref.: 350-15

Brinquedo acordeão / Toy accordion

O talento musical muitas vezes se manifesta na tenra infância e a oferta de brinquedos pode ser a chave para desenvolver o talento dos infantes. O caso de Mozart (Volfgang Amadeus) que aos cinco anos era competente em teclado e violino é um dos exemplos mais famosos.

Este acordeão, feito em plástico, tecido, papel, madeira e metal produz as sete notas musicais com três variantes (baixos).

Este brinquedo está muito desgastado, portanto, a criança ou crianças brincaram muito com ele tendo alcançado sua finalidade.

Data: Provável década de 1960.

Origem: China

Marca:  Accordion, também comercializado com as marcas Hero, Beatler, Sportani e outras.

Estado atual: É possível obter algumas notas. Difícil reparar pois várias lâminas de som estão estragadas.

Para saber mais: http://collections.vam.ac.uk/item/O36876/hero-accordion-childs-accordion-hero/

Futuro dessa utilidade: Substituído por aparelhos eletrônicos

Ref.: 348-02

Espremedor para suco / Fruit Press

Na década de 1950 a fundição em alumínio estava em alta, pois era o metal do momento: resistente e fundível à baixa temperatura. Depois veio a época do plástico, mas isso já é outra estória.

Este modelo provavelmente foi patenteado por Samuel Bloomfield, sob n. US 2183804, em dezembro de 1939. No entanto, uma rápida pesquisa no Google, apresenta centenas de registros de patentes de modelos similares.

É uma peça para uso doméstico, de única utilidade, e com tamanho avantajado (totalmente aberta mede aproximadamente 52 cm de altura, 17 cm de largura e  26 cm de profundidade, portanto, pouco prática para manter numa cozinha, razão pela qual tornou-se obsoleta. Na atualidade peças que ocupam menos espaço possuem dezenas de utilidades.

Seu funcionamento é muito simples. Basta cortar a laranja (ou alguma fruta cítrica com gomos) ao meio, colocar no suporte e baixar o manete espremendo até sair o suco.

Atualmente empresas asiáticas fabricam vários modelos similares numa percepção de oportunidade devido ao interesse dos consumidores por peças “vintage”, algo como um certo saudosismo em relação às utilidades.

Data:                    Década de 1950 (provável)

Marca:                 Juice King de Luxe

Modelo:              D-11

Fabricante:         Provável National Die Casting. Chicago, Illinois, Estados Unidos da América

Estado atual:     Funcional demonstrativo. As peças de madeira não são originais. Falta o copo por onde escorre o suco.

Futuro dessa utilidade: Substituído por aparelhos elétricos automáticos.

Ref.: 346-14

Macaco Chicão / Jack for truck / Gato para camión

Macaco para elevação de caminhões com capacidade nominal de 4 toneladas, em ferro e madeira. Mede recolhido aproximadamente 810 mm x 230 mm x 80 mm e pesa 28 kg.

Para funcionar, coloca-se o macaco na posição vertical, engatando-se a haste lateral numa área do objeto a ser levantado. Também pode ser utilizado colocando-se o macaco abaixo da carga a ser levantada. Feito isso basta girar a manivela no sentido horário a qual expandirá  a haste na razão de 2,5 milímetros por volta, isso demoraria cerca de 1 minuto para elevar uma carga a 18 centímetros, o que o torna o trabalho lento para ser feito manualmente e vem a ser uma das razões da sua obsolescência.

O nome Macaco para este elevador de pesos teve origem no marqueting de uma empresa americana fabricante desse tipo de equipamento, a qual utilizou o lançamento do filme King Kong para nominar essa ferramenta de Monkey, representando força e poder.

Quanto à marca “Realejo” e seu apelido “chicão”, não encontramos referência sobre a origem do nome, porém, realejo é uma caixa de música tocada a manivela, cujo operador, em geral, possuía um mico treinado que, ao concluir a música, apresentava um pequeno chapéu aos ouvintes para obter moedas como recompensa (na atualidade é considerado bizarro, mas em época pretérita era uma atração popular). Então, Realejo teria a ver com o girar da manivela e o tintilar da trava do equipamento que lembraria a máquina realejo. Já “chico” é uma das denominações atribuídas a macacos, portanto, seria um macaco grande e poderoso. https://www.dicio.com.br/chico/.

A Fabricante Cestari está ligada à história de Monte Alto, no estado de São Paulo, pois  Luigi Cestari iniciou uma fábrica naquela cidade em 1901.

Este equipamento foi produzido antes da criação, em 1970, do cadastro geral de contribuintes do Ministério da fazenda. Sua plaqueta de identificação em alumínio situa na década de 1940 ou posterior. Portanto foi produzido em alguma data entre 1940 e 1970.

É conveniente trazer algumas informações técnicas desta peça porque vão evidenciar o grau de desenvolvimento da Cestari na época de sua produção, bem como o contexto onde a empresa atuava.

Nesta peça não há componentes soldados, a fixação dos componentes permanentes se deu por rebitamento, o corpo é feito de madeira resistente, porém com acabamento em bruto, os entalhes na madeira são feitos a serrote e formão, portanto, um trabalho manual, o furo para inserir graxa foi feito com pua, há reforços de ferro parafusados na madeira com parafusos de cabeça chata de fenda, a argola de sustentação do macaco é fixado por uma tira de ferro, há várias porcas quadradas, há porcas hexagonais com furos de rosca fora de centro, as chapas são de ferro laminado a quente em pequena quantidade com espessura irregular, restam placas de impurezas gravadas nas placas de ferro decorrentes do processo de laminação, os suportes entre-placas são feitos à forja manual, conforme se observa na imprecisão dos lados e arestas, a manivela é de aço batido e furado a quente, a graxa utilizada era orgânica. Esses elementos situam a peça no processo industrial brasileiro na década de 1940 ou anterior.

Data:                     Provável década de 1940

Origem:               Monte Alto, São Paulo, Brasil

Marca:                 Realejo

Fabricante:         Indústria e Comércio Irmãos Cestari S/A

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Futuro dessa utilidade: Substituído por elevadores hidráulicos

Ref. 169-15

Calculadora ORIGINAL ODHNER 107/ Original Odhner model 107 Calculator

Dentre os vários modelos que a empresa Odhner fabricou este modelo 107 é dos mais simples e, também, dos menores. Exemplo de sua simplicidade é a ausência de visor para os dígitos selecionados.

Com apenas 9 dígitos no indicador de quociente, destinava-se a operações comerciais. Seu limite de divisão, por exemplo, restringe o dividendo a 8 dígitos embora o seletor contenha 10 dígitos.

Sua aparência não é um bom cartão de visitas, mas está plenamente funcional.

Para saber como operar, basta acessar este link:https://museudosilvio.wordpress.com/2018/06/13/como-operar-a-calculadora-original-odhner-107-how-to-operate-the-original-odhner-107-calculator/

Origem:               Suécia

Marca:                 Original Odhner

Data:                    1950-1952

Modelo:              107

Curiosidade:      Vendida em Pelotas-RS, pela “Casa do Rádio”. Na plaqueta consta o número do telefone da empresa com apenas quatro dígitos: 1700.

Estado atual:     Funcional

Futuro dessa utilidade: Substituída por softwares com infinito maior poder de cálculo

Ref.: 98-03

Pianinho de brinquedo / Toy piano / Piano jouet

Feito em madeira, com barras de xilofone em metal. O som é produzido por um batente de madeira lançado pela tecla do piano contra a barra de metal respectiva.

De diminuto tamanho, se destinava a crianças menores de cinco anos, entretanto, pode ser tocado para produzir músicas por pessoas de qualquer idade.

Recentemente recebemos um e-mail do Sr. Roberto de Souza Cuneo, que vem a resgatar um pouco da história da peça e do seu fabricante o qual, com sua autorização, transcrevemos:

Foi com muita felicidade que encontramos neste site um brinquedo produzido por meu avô Oswy Souza. Trata-se de um piano infantil, da cor rosa, produzido pela IBOS. Publicamos a foto o grupo da família, causando grande comoção, uma vez que vários netos, inclusive eu, lembramos dos brinquedos feitos por ele que fizeram parte da nossa infância. Abaixo relato do meu tio, José Renato de Souza, filho do Oswy:

“Jóias históricas. Verdadeiras preciosidades produzidas na ex rua Bocaiúva, 221, pelos mestres, Cazusa/Oswy. As barras de metal eram aproveitadas das fitas que amarravam os fardos de algodão. As fitas eram recortadas no tamanho próprio para emitir o som da nota musical. Afinação do Vô Cazusa”.
…..
Atenciosamente
Roberto de Souza Cuneo e todos os descendentes do nosso querido Vô Oswy.

Data:                     Provável década de 1930

Marca:                  IBOS

Fabricante:         Indústria de Brinquedos Oswy Souza

Origem:               Florianópolis, SC – Brasil

Estado atual:     Funcional

Curiosidades:      Embora estivesse em muito mau estado, fato que evidencia ter sido um brinquedo apreciado, foi possível torna-lo funcional sem a necessidade de intervenções severas.

                               Em 1936 consta no Almanak Laemmert: Administrativo, Mercantil e Industrial , (1841-1940), Ano 1937, \Edição A00093(1), na Seção Cidade de Florianópolis, páginas 1375 e 1512, a seguinte publicidade “BRINQUEDOS – Oswy Souza, r. Esteves Junior, 28.”

Futuro dessa utilidade: Substituída por brinquedos eletrônicos

Ref.: 297-01

Cadeados / Padlocks / Cadenas

Como já vimos, fechaduras são muito, mas muito antigas, e se pode observar um exemplo aqui https://museudosilvio.wordpress.com/?s=fechadura. Os cadeados são quase tão antigos e existem peças produzidas em bronze e ferro no Império Romano. Sua grande utilidade está na mobilidade, pois é um tipo de fechadura que pode ser “carregada” pelo usuário.

O Cadeado A, medindo aproximadamente 11,5 cm x 8,5 cm, é todo em ferro, seu corpo é feito de três chapas estampadas, unidas por pinos retangulares batidos, portanto, também é relativamente recente, provavelmente um pouco anterior ao cadeado B, pois possui elementos de latão incorporados no seu corpo. No elemento de proteção da fechadura encontramos parte de uma estrela, podendo estar relacionado com o desenho de uma estrela sobre o texto “Improved Trumble Lock”, que numa tradução livre seria a informação de que o sistema de travamento do cadeado foi melhorado. Encontramos isso na foto de cadeado semelhante anunciado na internet, por uma empresa do Reino Unido. No entanto, não identifica a origem. https://www.silburyantiques.com/static/about.jsp

O Cadeado B, medindo aproximadamente 13 cm x 8,5 cm, todo em ferro, seu corpo é feito de duas chapas estampadas e conformadas, havendo dois reforços em cada uma delas, também estampados e soldados a quente. Portanto, mesmo parecendo muito antigo, deve ser da metade do século XX. Por estar exposto à intempérie adquiriu essa pátina escura. Duas letras bem visíveis de um total de 4, encontramos **GM que poderia identificar o fabricante. Anuncio com uma foto de cadeado muito parecido, tem no protetor da fechadura, o desenho de uma raposa protegendo o cadeado. Nesse anúncio o vendedor identifica como germânico. https://www.etsy.com/listing/743436731/antique-german-iron-padlock-and-key-with?show_sold_out_detail=1&ref=nla_listing_details

Embora com aparência e tamanho anacrônicos devem ter sido produzidos na segunda metade do século XX, pois a tecnologia de produção utilizada é recente e os valores ofertados para venda são acessíveis.

Para saber mais sobre o tema: https://blog.cadeados.com.br/a-historia-dos-cadeados-quem-inventou-o-cadeado/

Futuro dessa utilidade: Será mantida, mas com peças fabricadas com melhor tecnologia.

Ref.: 344-12

Plaina moldureira goivete / Gouge molding plane / Raboteuse à gouge

As plainas são usadas desde a antiguidade e evoluíram de simples pedaços de metal ou pedras para alisar madeira para plainas de comando eletrônico 3D que esculpem a madeira em qualquer formato.

Esta plaina manual tem por finalidade criar sulcos (ou rebaixos) em madeira para fazer acabamentos, como nas molduras de quadros, em móveis ou mesmo em janelas e portas.

Com aparência muito bonita, corpo em madeira, ajustador de altura e lateral em bronze, é uma peça que se destacava nas marcenarias antigas.

Para utilizar é necessário regular a altura da lâmina, ajustar a altura do rebaixo pretendido, ajustar a posição do rebaixo a ser feito na madeira e, com boa prática e a força necessária, retirar lascas da madeira empurrando a plaina no percurso desejado.

Esta peça é anterior às tupias mecânicas, mas conviveu bom tempo com elas onde era utilizada para trabalhos menores.

Data: Provável décadas de 1940 até 1960

Origem: Provavelmente Brasil

Estado atual: Funcional demonstrativo.

Futuro dessa utilidade: Substituída por máquinas por máquinas elétricas.

Ref.: 345-15

Balança / Scale

Esta curiosa balança, com capacidade para pesar até 10 kg, provavelmente foi utilizada para uso doméstico por ser de pouca precisão.

Toda em ferro fundido, com varão de escala em bronze. É muito pesada, o que lhe prejudica a mobilidade.

Para utilizar basta colocar o objeto a ser pesado na bandeja e colocar contrapesos no suporte suspenso até que ocorra um equilíbrio entre o objeto e os contrapesos. Interessante é que não há um marcador de equilíbrio, por exemplo um ponteiro, conforme vemos na maioria das balanças. Neste caso, o usuário deverá “sentir” que há equilíbrio, testando com um leve toque dos dedos no braço da balança.

Data:                Provável primeira metade do século XX ou mesmo final do século XIX.

Origem:           Talvez Uruguai ou Argentina.

Marca:             América

Estado atual:  Funcional demonstrativo

Futuro dessa utilidade: Substituída por máquinas eletrônicas com maior precisão.

Ref. 82-02

Musealização da tecnologia – uma área a ser explorada

Um fato interessante a ser registrado, após quatro anos colecionando peças e sua história é a dificuldade de encontrar informações relevantes sobre os fabricantes, sobre a tecnologia utilizada, sobre materiais utilizados na produção e características técnicas dos componentes.

Poucas empresas possuem registro de sua história e raríssimas possuem registro dos modelos produzidos e não encontramos nenhuma que possua dados relevantes sobre a tecnologia utilizada e informações sobre componentes e materiais.

Genericamente pode-se dizer que há grande conhecimento acumulado sobre métodos, processos e materiais utilizados na produção de bens em cada época humana. No entanto, praticamente não se encontra registros de época sobre a produção dos bens específicos.

O caso mais conhecido no mundo é o das três grandes pirâmides do Egito antigo, devido a completa ausência de registros históricos sobre a metodologia, a tecnologia, os materiais, a gestão da produção e outros aspectos relevantes na sua construção. Conhece-se muito sobre aquela brilhante civilização, mas nada definitivo sobre a construção das pirâmides que tenha sido registrado na época. Desta forma, por inexistir a informação,  teorias são criadas, inclusive as mais estapafúrdias, como a produção delas por seres alienígenas (gênios como Elon Musk não estão isentos de proferir bobagens), numa evidente injustiça por deixar de honrar as pessoas que pensaram e trabalharam na solução daquele problema.

Identifico como a primeira razão, pretérita e presente, a necessidade de manter sigilo sobre o conhecimento, para que terceiros não se apropriem dele em benefício próprio e em prejuízo dos seus desenvolvedores. Outras duas realidades estão presentes nos dias atuais. Primeiro evitar a entrega de informações sensíveis aos órgãos governamentais e segundo, o alto custo de manter pessoas treinadas, registros,  peças, componentes, materiais, equipamentos, manuais e peças que não mais serão produzidas.

Há poucos anos, quando os USA iniciaram um projeto de voltar a realizar viagens à lua, surgiram notícias que a NASA, a agência espacial norteamericana, teria extraviado os projetos do programa Apollo, inclusive do foguete Saturno V. Pouco depois foram encontrados numa biblioteca. Os técnicos constataram que a retomada da fabricação, segundo os projetos existentes, de foguetes naves e demais utilidades não poderia mais ser reiniciado simplesmente porque toda a infraestrutura de produção daquele projeto havia desparecido, inclusive muitas empresas forneceras não mais existiam.

Naturalmente o acumulo de conhecimento genérico permitiu à NASA a construção do foguete SLS e de outras apetrechos necessários para desenvolver e concluir o novo projeto de voltar à lua.

Juntando a história das pirâmides com a do projeto Apollo, sabe-se que é possível, com o conhecimento acumulado, produzir pirâmides até maiores e foguetes melhores que o Saturno V e seus componentes.

Tenho notado que a conexão da metodologia abandonada versus a utilidade presente tem causado momentos de brilho na mente dos visitantes do Museu, a sensação de saber a origem das coisas, de se conectar diretamente com um passado que se supunha inexistente.

Como contornar os três problemas: necessidade contra apropriação indébita, necessidade de se proteger contra órgãos governamentais e o alto custo da manutenção de registros e coisas que não são mais rentáveis? Não tenho solução, porém sei que os museus podem contribuir muito na preservação do conhecimento da tecnologia pretérita. A humanidade vive do passado, mas raramente percebe essa realidade.

Barógrafo/Barograph

O barômetro foi inventado pelo italiano Evangelista Torricelli em 1643.

Tem por finalidade registrar a pressão atmosférica, útil para calcular a altitude e a possibilidade de chuvas e temporais.

O barógrafo é um barômetro que registra todas as variações da pressão atmosférica durante um período de tempo, em uma folha de papel, presa a um marcador de tempo cilíndrico. O registro fica em forma de linha gráfica.

Data: Provável décadas de 1940/1950

Origem:               Estados Unidos

Fabricante:         Friez Instrument Division of Bendix Aviation Corp

Curiosidade:       Este equipamento é uma evolução dos barômetros inventados por Julien P. Friez (1851-1916)

Estado atual:      Funcional. Falta tinta.

Ref.: 32-06

Calculadora BRUNSVIGA-NOVA 13/ Brunsviga Nova 13 calculator

Vários modelos de calculadora do tipo pinwheel (cata-vento) foram desenvolvidas se adequando às necessidades reais ou imaginarias dos clientes. A característica principal desta calculadora é seu pequeno tamanho. Foi desenvolvida pelo engenheiro Franz Trinks, a partir do modelo das máquinas Odhner.

Origem:               Alemanha

Fabricante:         Grimme, Natalis & Co.

Data:                    Entre 1927 e 1937

Modelo:               Nova 13

Estado atual:      Funcional (exceto divisão e contador de operações)

Curiosidade:     Em data pretérita esta calculadora foi aberta, desmontada e remontada com peças trocadas, além de se perderem alguns parafusos e os comandos internos dos controladores da divisão.

Ref.: 48-03

Bobinador de fios de tecer / Hand bobbin winder

Um selo no interior do cone identificava “Fiação São Bento SA, provavelmente de Santa Catarina. Pode ter sido produzido, a pedido, pela empresa MACO S.A. – COPPO, que vem a ser uma redução do nome da empresa Maquinas de Malharia Coppo S.A. Importadora e Exportadora. Funcionou na Av. Ceara 1209; Porto Alegre; Brasil. Não encontramos referência de que esteja funcionando, inclusive o prédio do local não possui tal numeração, indicando que outro foi construído.  Consta no International Commerce, de 1962, vol 68, anúncio de Romano Poggie, como representante da empresa MACO, no Rio de Janeiro.

A peça, em alumínio e plástico, com dois parafusos para fixar a peça na borda de uma mesa, podia enrolar aproximadamente 100 metros de linha por minuto. Para atividades de tecelagem doméstica poderia ser bem interessante.

Seu funcionamento é muito simples. Basta introduzir o carretel cônico no cone da máquina, fixar o fio no carretel e girar a manivela para que o fio enrole e crie um novelo.

Data:                     Provável década de 1960

Marca:                 MACO

Empresa:            Maquinas de Malharia Coppo S.A. Importadora e Exportadora

Origem:               Brasil

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Ref.:  336-05

Furadeira de peito / Breast drill / Taladro de pecho

Essas ferramentas são objetos colecionáveis, conforme se observa oferta, procura e grupos de colecionadores nos sites da Internet.

Esta furadeira, com quase um  século,  é bem elaborada e inclui muitos detalhes  que a tornam diferenciada entre as concorrentes da época a saber: estrutura de ferro fundido,  engrenagem da movimentação presa por parafuso entalhado, botões de liberação da coroa permitem a mudança de velocidade sem remover a broca do trabalho, rolo intermediário para equalizar rolamentos, manivela extensível com três posições, rolamento axial de esferas, nível fixado ao quadro, placa de peito ajustável, mandril tipo mola da Parsons ajustável até  1/2 pol., e tensor com esfera de rolamento.

Conta, também, com alças de madeira Cocobolo, quadro pintado em preto, engrenagem de acionamento sem pintura e partes brilhantes niqueladas.

Data:                     Provavelmente 1925

Fabricante:         Millers Falls Co.

Origem:               Greenfield, Massachussets, USA

Modelo:              118

Estado atual:     Funcional, entretanto com as marcas do tempo. Foi necessário repintar, pois a pintura original estava totalmente desgastada gerando oxidações na peça.

Para saber mais: https://oldtoolheaven.com/breast_drills/breast_drill4.htm

ref.: 282-15

Bomba de óleo automotivo / Hand crank oil pump / Pompe à huile à manivelle

O surgimento do motor à explosão, mediante o uso de combustível de petróleo, trouxe junto uma complexa e formidável infraestrutura de abastecimento e manutenção. Dentre os inúmeros aparatos de abastecimento e manutenção estavam as bombas de óleo lubrificante para motores. Inicialmente vendidos a granel, atualmente vendidos em garrafas plásticas em postos de combustível ou em grandes tonéis com abastecimento por bombas elétricas.

Com cor original amarelo e, sob esta vermelho, provavelmente como fundo, tem o formato das bombas usadas pela Quaker State Oil da Pensylânia, Estados Unidos da América. Adquirida no Uruguai, deve ser um clone para venda de óleo sem marca.

Corpo em ferro fundido, com partes móveis em aço laminado. O corpo é um belo trabalho de fundição.

Sem data, nem origem, provável década de 1930/1940

Estado atual: não testado. Faltam os vedantes. Encontramos buchas formadas por algodão encordoado, o que pode indicar ter sido produzido antes de 1930.

Curiosidade: Conforme se pode observar numa das fotos, a peça estava em estado bastante precário quando foi adquirida.

Para saber um pouco sobre a Quaker: https://apnews.com/8ab766d7caeb44168a377b908ce0c674

Ref.: 313-05

Aparelho de arqueação (esticador) de fitas de embalagem / Strapping banding tool

Acomodar objetos para transporte é uma necessidade desde os primórdios da humanidade, especialmente quando iniciou o processo de migração.  Vários materiais são utilizados para vedar ou para fixar as embalagens tais como grampos, cordões, cordas, fitas adesivas, fitas de aço e fitas de material sintético.

Este equipamento tem por finalidade a fixação de fitas de aço ou material sintético. Em vista de ser manual, não é próprio para processos que requeiram grande produtividade caso em que a tarefa é realizada por máquinas automáticas.

Todo em aço, possui quatro funções: fixar, esticar, prender e cortar. Seu funcionamento é muito simples. Basta fixar a ponta “A” de uma fita, enrolar a ponta “B” em sentido contrário até que a embalagem esteja bem firme. Após coloca-se as pontas numa presilha ainda aberta e logo a seguir aperta-se a presilha, prendendo firmemente as duas pontas com o movimento de abertura das duas hastes grandes.

Este modelo ainda é oferecido à venda no mercado, a preços muito acessíveis, conforme se pode observar no site: http://www.polycamp.com.br/aparelho-arqueacao-manual

Data:                     Provável década de 2000

Origem:               Brasil

Fabricante:         Não consta

Estado Atual:     Funcional demonstrativo

Ref.: 343-05

Moinho dosador de café / Coffee grinder

Este moedor de café eletromecânico foi desenvolvido por iniciativa do Sr. José Coelho, fundador da Cafemaq na década de 1970.

Esta peça possui características artesanais, evidenciando o estado inicial da indústria. No entanto, uma publicidade da época dá conta da capacidade de produção e de comercialização do engenho.

Este moedor, parte de um conjunto, tinha como objetivo atender cafeterias. Esta peça permitia moer o café, liberar o mesmo para a colher e pressionar o café na mesma, deixando pronto para ser colocado no conjunto vaporizador, para “passar” o café.  

Para funcionar bastava depositar os grãos de café na cuba (falta), ajustar a espessura pretendida para os grãos, ligar o motor e liberar o café para a colher (falta), acionando a alavanca do depósito. Após, bastava pressionar o café no suporte lateral para que o mesmo ficasse firme na colher.

No processo de desmontagem para limpeza e ajuste das peças observa-se algumas deficiências no projeto técnico bem como no acabamento dos componentes. Fatos perfeitamente compreensíveis por se tratarem de peças inéditas.

Data:                     Década de 1970

Origem:               Brasil

Empresa:            Cafemaq

Inventor:            José Coelho

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Para saber mais: http://cafemaq.com.br/cafemaq/

Ref.: 342-05

Torno de protético / Lathe head

O diminuto tamanho desta peça já evidencia que seu uso se destina a realizar trabalhos de precisão e em objetos pequenos. No caso, o mesmo foi produzido para facilitar o trabalho de elaboração de próteses dentárias.

Podem ser acopladas às peças do eixo, alargadores, brocas, pedras de esmerilhar, lixas, lustradores e etc.

Para funcionar, esta peça deve ser conectada a um motor através de uma correia.

Conforme um catálogo de 1934, se observa que a peça se  sustenta em si mesma, ou seja, não é um acessório ou parte de um componente maior.

Data:                     Provável final do século XIX ou início do século XX

Origem:               Estados Unidos

Marca:                 Buffalo

Fabricante:         Buffalo Dental Manufactoring Co.

Estado atual:     Funcional de monstrativo

“A Buffalo Dental Manufacturing Co Inc. foi fundada em 1869 pelos dentistas Dr. George E. Hayer e Dr. Benjah T. Whitney. Eles haviam inventado uma forma de endurecer resinas para fazer dentaduras. A linha de negócios da empresa inclui a fabricação de dentes artificiais, metais dentais, ligas, amálgamas e outros equipamentos e instrumentos.”

https://archive.org/details/1913buffalodentalmfgcolabtools/page/n86/mode/1up

Ref.: 341-13

Mini câmera fotográfica / Mini photo camera

O processo de miniaturização das máquinas, para torna-las mais baratas, móveis, práticas e  ocupar menos espaço vem desde o início da revolução industrial. Isso  também ocorreu com as câmeras fotográficas. Desde os primeiros lambe-lambes, para os dias de hoje, onde as câmeras de aparelhos celulares praticamente não ocupam espaço físico, muitos modelos de câmeras mecânicas foram desenvolvidos.

Com foco de 22mm, possui regulagem para ISO 30 a 500. O processo de rolagem do filme consiste em simples abrir e fechar a câmera. Possui espera para flash e possui contador de fotos.

Este é um exemplo interessante de câmera para uso doméstico que dava ao proprietário a sensação de viver no período da guerra fria, onde podia fotografar discretamente. Esse período quase romântico deu lugar aos tempos atuais onde o personagem “grande irmão” do livro “1984” de George Orwell, saiu da ficção para vigiar a todos o tempo todo.

Data:                     Década de 1960

Marca:                 Minolta

Modelo:              Minolta-16 II

Empresa:             Minolta Camera Co., Ltd.

Origem:               Osaka – Japão

Estado atual: Não testado.

Doação:               Sr. Luiz Cesar

Curiosidade:      Neste artigo da Wikipédia encontramos várias referências a esta câmera: https://en.wikipedia.org/wiki/Minolta_16

ref.: 336-16

Bomba d’água / Water pump / водяной насос

A captação de água do subsolo representa uma alternativa importante no suprimento desse recurso.  Para isso foram produzidas muitos tipos de bombas, porém com o mesmo princípio: bombeando ar para dentro do poço e com isso fazendo a água subir até a superfície.

Este modelo, embora totalmente mecânico, requer um motor para girar a roda maior por fricção com uma peça de borracha redonda fixada ao eixo do motor. Essa roda maior tem essa dimensão para reduzir necessidade de força do motor para girar a engrenagem do ciclo de bombeamento.

Como a rotação dos motores é alta, há uma redução de velocidade por diferença de tamanho das engrenagem, resultando em um ciclo do pistão para cada cinco voltas da engrenagem pequena.

Todo em ferro fundido e bronze, pesando 60 kg sem o motor, deve ser fixado em uma base forte sobre o poço artesiano.

Data:                     Provável década de 1960

Origem:               São Paulo – Brasil

Marca:                  PAULO

Empresa:             Bombas Paulo Indústria e Comércio.

Estado atual: Não testado

Ref.: 335-12

Minuteira / Minute minder

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Muito parecido com um relógio, sua função se restringe a marcar um período de tempo correndo ao contrário, ou seja, mostrando o tempo restante.  É muito útil nas atividades domésticas. Praticamente todos os eletrodomésticos que realizam funções programadas possuem um timer acoplado, como fornos micro-ondas, fornos elétricos, lavadoras de louça, de roupa, secadoras e fogões.

Origem:               Waterbury – Connecticut – Estados unidos

Data:                    Provável década de 1950

Fabricante: The Lux Clock Manufacturing Company.

Modelo:              Lux Minute Minder

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Ref.: 45-14

Encontramos um desenho publicitário da antiga fábrica Lux no site http://luxclocks.net/shpage.cgi?BookName=luxinfo/luxinfo-new.txt&BookBackgroundImage=back1.JPG&BookThumbnailColumns=8

Balança Dallemolle / Commerce scale / Balanza de comercio

Esta balança em ferro fundido, ferro estampado, bronze e madeira, tem capacidade para pesar até 50 kg. É uma balança de mesa utilizada em armazéns, açougues e mercados.

Ainda mantém uma precisão razoável e bem poderia servir para uso doméstico, no entanto, devido ao seu peso e tamanho, é anacrônica.

Na época da sua produção ainda não estavam no mercado as balanças eletrônicas, as quais tornaram obsoletas todas as balanças mecânicas que por milênios acompanharam a humanidade.

Data:                     Mais tardar década de 1960

Origem:               Caxias do Sul, Rio Grande do Sul, Brasil

Marca:                  Dallemolle

Fabricante:         Angelo Dalle Molle & Cia Ltda.

Estado atual: Funcional

Doação:               Sr. Aldrovando

Curiosidade: o amigo visitante é capaz de identificar o peso do conjunto de porta canetas que está sobre a balança, observando a régua de escala?

Para saber mais sobre a história da empresa fabricante: https://www.dallemolle.com.br/sobre-nos

Ref.: 335-02

Corteché (Plaina de Madeira) / Cabinet Scraper

Todo em ferro fundido, é uma peça de  marcenaria. Sua finalidade é a de alisar a madeira bruta já cortada, para produção de móveis. É equivalente a uma aplainadeira, ou plaina. Seu propósito não é retirar lascas profundas da madeira, mas sim, imperfeições superficiais ou sujeira.

Conforme Domingos Marcellini (1897 Itália  – 1988 Brasil) – Manual Prático de Marcenaria – Ediouro, corteché e um instrumento de ferro fundido com que se retocam as peças curvas, muito usado pelos cadeireiros.

Seu funcionamento é muito simples. Basta ajustar a lâmina para o grau de raspagem, segurar a peça com as duas mãos e raspar a madeira em direção ao corpo (puxar em direção ao corpo).

Sem data nem origem, ainda há peças novas oferecidas no mercado para entusiastas de marcenaria.

Data:  Provável primeira metade do século XX

Marca:  Star (provável clone da Stanley)

Origem: Desconhecido. Provavelmente Estados Unidos.

Estado atual:  Funcional demonstrativo

Para saber mais: https://vebuka.com/print/140115225340-d425781cbc928b01eec32cf24deb2fe7/Manual_prtico_de_marcenaria

Ref.: 333-15

Aparelho para injeção em animais / Animal injection apparatus / Dispositivo de inyección animal

O desenvolvimento da medicina veterinária ocorreu paralelamente ao desenvolvi mento da medicina humana. Assim, muitos aparelhos usados nos humanos têm seu equivalente para os animais.

Este é um aparelho em bronze niquelado, com ampola de vidro no interior. A haste do êmbolo com escala e porca limitadora tinha por finalidade regular a quantidade de remédio injetado no animal.

Data:                     Possivelmente segunda metade do século XX

Origem:               Provavelmente Brasil

Marca:                 Criador

Estado atual:     Não funciona. O êmbolo de vidro está quebrado.

Ref.: 331-12

Calculadora Schubert / Calculator / Calculatrice

Este é mais um dos muitos modelos de maquinas pin-well. Conforme o amigo visitante pode encontrar nesta seção de Calculadoras, ela possui semelhança com Brunswiga, Odhner, Marchant, Jion, Walther e Multo desta coleção, com pequenas variações no processo de manuseio.

O Sr. Emil Schubert (1883-1952) foi um empreendedor alemão que iniciou o negócio com calculadoras em 1911. Após perder o controle da empresa no início dos anos 1930, inicia um novo negócio em 1938, com a produção de calculadoras com seu nome. A empresa encerrou as atividades no final dos anos 1960.

Data:                     Provável entre 1953 e 1965

Modelo:              DRV 85N065

Origem:               Rastatt –  Baden-Württemberg – Alemanha Ocidental (Portanto, após 1945 e anterior a 1990)

Marca:                 Schubert Rastatt

Estado atual:     Em manutenção. Faltam alguns componentes. A cor não é original.

Para saber mais:

http://public.beuth-hochschule.de/~hamann/schubert/indexi.html

http://www.rechnerlexikon.de/artikel/Schubert

Ref.: 319-03

Batedeira de manteiga / Butter churn /Baratte à beurre

A manteiga é um saboroso subproduto do leite e vem sendo produzida desde que o gado foi domesticado, na pré-história. A técnica é simples, bastando recolher a gordura do leite em um recipiente e bater até que se separem a parte sólida (manteiga) da parte líquida (soro). Inúmeros utensílios foram criados para realizar essa tarefa. Esta batedeira é um exemplo disso.

Funcionamento: Colocar a gordura do leite dentro do tambor e girar a manivela até que ocorra a separação da manteiga e do soro.

Data:                   Início do Século XX

Marca:                Desconhecida

Origem:              Desconhecida

Curiosidade:     Diferente das técnicas atuais, a parte giratória é o tambor e não a pá interna.

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Re.: 70-12

Moinho de café / Coffe Grinder

Este aparelho pode ser considerado como a criação do “Dr. Frankenstein”, pois embora represente bem a utilidade para a qual serviria, é composto de componentes da Metalúrgica Progresso, de componentes da empresa francesa Peugeot Frères e de componentes usinados particularmente.

No final, o conjunto é harmônico e bem equilibrado, tratando-se, pois, de uma reconstituição que oferece ao observador uma ideia bem próxima da utilidade original.

Pelo seu tamanho provavelmente era de uso comercial, pois sua cuba pode comportar, talvez, 1 kg de grãos de café, o qual seria moído em pouco tempo sem muito esforço, não havendo sentido em possuir um aparelho tão grande para consumo doméstico.

Os componentes originais situam-se no final do século XIX e princípio do século XX, no máximo até 1930.

Data: Sem data

Origem: França e Brasil

Estado atual: Decorativo

Ref.: 326-05

Museus, acervos e contextos / Museums, collections and contexts / Museos, colecciones y contextos.

Algumas peças deste Museu, embora tenham sua utilidade bem esclarecida e sua classificação por área de utilização identificada, podem ensejar dúvidas quanto a sua contextualização. Por exemplo, o Museu possui algumas peças na área da joalheria, no entanto, a maioria das ferramentas utilizadas por joalheiros não possuíam partes mecânicas,  eram ferramentas simples, manuseadas de acordo com o talento do profissional.  Assim, manter  somente peças mecânicas na seção de joalheria estaria dando ao visitante uma idéia errônea dessa atividade? Por via  oposta, oferecer  ferramentas de joalheiro,  estaria subvertendo a lógica do Museu que se refere a  utilidades mecânicas?

A resposta para isso está  relacionada ao propósito do Museu, especialmente porque nenhum museu  abrange todos os aspectos  contextuais de uma peça. Um exemplo marcante são peças do antigo Egito no Museu de Arqueologia de Florença, Itália. Numa das exposições há uma biga de  guerra. Naquele contexto a peça está relacionada à história do antigo Egito onde o guerreiro e a biga são apenas integrantes de uma cultura. Nada há sobre a tecnologia de fabricação da biga, nem sobre seus fabricantes, nem sobre seus inventores, nem sobre os materiais utilizados, nem especificações.

Desta forma, é coerente que os museus informem a que se propõe (seu objeto) aos seus visitantes, de forma simples e direta, sem contorcionismos semânticos,  sem esconder segundas intenções, bem como seu acervo tenha conexão direta com seu objeto. Isso facilita ao visitante o  entendimento da exposição e não cria nele expectativas além do contexto específico.

Ferro de passar roupas / Clothes iron / Le fer

Ao longos dos séculos foram desenvolvidos muitos modelos de ferros de passar roupas utilizando materiais combustíveis para seu aquecimento como carvão, gás, querosene, gasolina. Posteriormente surgiram os ferros elétricos os quais substituíram completamente aqueles.

Este modelo funciona a combustível líquido (querosene) que era despejada no bulbo por um funil próprio. O bulbo possui uma tampa com válvula. Com uma bombinha de ar, injeta-se ar sob pressão pela válvula. O ar e o combustível sob pressão são liberados para o queimador mediante abertura do registro na parte oposta ao queimador. 

Seus principais componentes são: O corpo, o bulbo, o registro, o queimador, o suporte, o funil e a bomba  de ar.

Data:                     Anos 1950

Origem:               Argentina

Marca:                 Volcan

Estado atual:     Não testado. 

Curiosidade:      A empresa fabricante dos produtos Volcan está em atividade com produtos modernos. Entretanto, em seu site, não encontramos referência ao nome comercial da empresa.

Ref. 14-14

Curvímetro / Curvimeter / Curvimètre

Este curioso aparelho é um facilitador para medir linhas curvas em um mapa, a fim de apurar as distâncias reais entre dois pontos de uma área. Por exemplo, quanto temos um mapa sobre a mesa, não podemos simplesmente traçar uma reta entre um ponto e outro,  pois os caminhos obedecem o leito da estrada, esta, sabemos, é formado de muitas curvas e retas.

Assim, este aparelho permitia calcular com mais precisão a quantidade de quilômetros ou mesmo de metros de um determinado caminho, ou traçado de terreno (por exemplo, o perímetro de uma área).

Para funcionar basta posicionar os ponteiros no ponto zero, colocar o rolete e girá-lo sobre a linha do mapa desde o ponto “A” até o ponto “B”. O ponteiro grande completa um giro a cada três metros no mapa. O ponteiro pequeno completa um giro a cada 30 metros no mapa. Sabendo-se a escala do mapa, basta converter a distância percorrida pelo rolete na metragem equivalente da escala para obter a distância real.

Data:                     Início do século XX

Origem:               Provavelmente França

Inscrição na peça: O. M. PARIS

Estado atual:     Funcional demonstrativo.

Não encontramos referências a esta peça na Internet até o momento.

Ref.: 329-15

Torno de encanador hidráulico / Bench yoke vise / Tornillo de banco

Tornos (fixadores) estão na lista superior de utilidades mecânicas. Este  torno, todo em ferro fundido a exceção dos mordentes, cabos e parafusos em ferro forjado, pode ser usado fixo numa bancada ou destacado para ser usado em campo.

Sua utilidade é a de fixar cilindros, em geral tubos galvanizados para água, os quais requerem rosqueamento por tarracha, para uni-los.

Sua funcionalidade é muito simples. Basta colocar o cilindro no espaço próprio e aperta-lo com os mordentes, girando o parafuso superior.

Na sua lateral possui um gancho para funcionar como fixador do suporte do mordente superior em situações onde o torno deve ser encaixado no cilindro, como por exemplo, onde o cano não pode ser removido para fazer a rosca.

Data: Pode ser da década de 1980 ou um pouco anterior

Modelo: 2

Marca:  Somar

Origem: Provavelmente Brasil

Estado atual: Funcional demonstrativo

Ref.: 325-15

Calculadora Odhner 239

Vários modelos de calculadora do tipo pinwell (cata-vento) foram desenvolvidas todas se adequando as necessidades, reais ou imaginadas dos clientes. A característica principal desta calculadora é seu pequeno tamanho. O design desta calculadora foi modernizado em relação as anteriores. Pode-se observar que esta calculadora possui um visor para representar os dígitos selecionados.

Conforme pode inferir o ilustre visitante, o processo de recuperação desta peça foi bem trabalhoso, requerendo a desmontagem, limpeza, ajuste e montagem de dezenas de componentes.

Data: Entre 1955 e 1967

Modelo: 239

Origem: Suécia

Estado atual: Funcional

Curiosidade: Possui uma teclinha, a direita do visor de resultado, que serve para transferir o resultado para o seletor. É uma espécie de subtotal de duvidosa utilidade, pois se o resultado já está disponível para aproveitar para outra operação, não há necessidade de zerá-lo para novamente incluí-lo…

Futuro dessa utilidade: Substituída por máquinas eletrônicas com infinito maior poder de cálculo

Ref.: 18-03

Conjunto para injeção / Medical set for injection

A seringa foi inventada no ano de 1853, pelo ortopedista francês Charles Gabriel Pravaz(*). Dese sua invenção, em geral foi feita de vidro para ser reutilizável após assepsia. A partir da eclosão de doenças altamente contagiosas como a AIDS, na década de 1980, o uso de seringa de segurança, descartável, passou a ser obrigatório. Na atualidade não se consegue imaginar seringas de injeção reutilizáveis. 

Este conjunto possui a seringa com a ampola, ambas de vidro, um depósito de álcool, um suporte e um depósito de água. Como se observa, é portátil. O aplicador levava consigo o kit e antes da aplicação esterilizava a seringa, mediante fervura em água quente.

Para realizar a fervura, bastava montar o kit da forma correta, acender álcool no recipiente e inferior e aguardar a fervura da água colocada no recipiente superior por alguns minutos. Isto supostamente eliminaria as bactérias e vírus.

Data: anterior à década de 1990

Origem: Brasil

Marca: Omega

Fabricante: Ibras-CBO – Industria Cirúrgica e Óptica S/A, Comércio, Importação e Exportação

Estado atual:     Não testado

Ref.: 322-17

Ralador / Grater / Rallador

Corpo em alumínio, navalha em aço inox, é uma peça moderna, provavelmente da década de 1970. Seu formato inusitado não o impede de ser muito fácil de operar e de obter um resultado satisfatório.

Para operar, basta introduzir o legume ou queijo parmesão no depósito, empurrar o alimento com pouca força e girar a manivela.

Para realizar a limpeza também é muito fácil, pois possui apenas três componentes principais. Provavelmente não fez sucesso por que é necessário fixa-lo na borda de uma mesa e mantê-lo  fixado ou retirá-lo para uso em outra oportunidade, não sendo, portanto, muito prático neste quesito.

Sem data, nem origem.

Marca:  Emeral

Estado atual: Funcional

Ref.: 323-14

Fatiador de legumes / Vegetable slicer

Este é um fatiador produzido em madeira com uma lâmina de aço fixada por parafusos. Provavelmente trata-se de um protótipo, no entanto muito bem elaborado, preciso e funcional. A posição da lâmina pode ser regulada para ajustar a espessura da fatia que o usuário deseja. Além disso, após o uso, a posição da lâmina pode ser regulada para abaixo do nível de corte para evitar acidentes.

Seu defeito é justamente ser de madeira, que além de ser mais frágil que o metal, é altamente contaminável, requerendo uma higiene mais apurada.

Sem data, nem origem, pode ser bem uma peça atual ou algo produzido no máximo na década de 1980.

Estado atual: Funcional demonstrativo

Ref.: 324-14

Suporte para servir bebidas / Holder for serving drinks

Esta é uma peça decorativa. O que faz dela algo diferenciado e divertido é o movimento da garrafa mediante o giro da manivela.

Toda em bronze, é uma engenhoca que está mais perto de ser útil para servir bebidas de baixo volume, como pequenas dozes de licores, dando um charme especial ao serviço.

Sem data nem origem, possui um alto-relevo “OPORTO” em baixo de sua base, o que pode indicar sua origem em Portugal.

Estado atual: funcional

ref. 317-14

Hora de agradecer / Time to thank / Temps de remercier

Terminando o ciclo de 2019. Postamos mais de 50 peças, quase todas representando utilidades diferentes, o que veio a consolidar um acervo já publicado de mais de 270 utilidades diferentes. No garimpo, a colaboração do sr. Roberto de São Carlos foi muito importante, pois como ele mesmo disse, não pode ver depósito de ferro-velho que não lembre-se do Museu e não dê uma olhada à procura de peças.

No ano foram mais de 8200 visualizações e mais de 2800 visitas, fato que para um blog cultural, cujo produto e marqueting se encerra em si mesmo, sem apoio em nenhuma rede social (por falta de tempo, não por restrição), é muito significativo.

Aos amigos dos 47 países que nos visitaram, mesmo que muitos apenas inadvertidamente por causa de uma peça procurada no Google, muito obrigado! Um agradecimento muito especial aos visitantes portugueses que estão em primeiro lugar na visitação per cápita, aos visitantes brasileiros que estão em primeiro lugar na quantidade de visualizações e aos visitantes norte-americanos em um prestigioso terceiro lugar na quantidade de visitas. Aos nossos patriarcas portugueses, aos nossos irmãos brasileiros e aos amigos do grande e tecnológico país USA, muito obrigado! Sua presença nos estimula e dá a certeza do caminho certo.

Sílvio.

Marcador – furador – rebitador / Marker – Hole Puncher – Riveter / Marqueur – Perforateur – Riveteuse

Esta ferramenta, parecida com um alicate gigante, possui num dos mordentes um pequeno pino que se encaixa num sulco no mordente oposto. Desconhecemos sua utilidade original.

Devido a possuir grandes hastes e ser todo de ferro, parece razoável supor que tinha por finalidade exercer grande pressão sobre o objeto a ser pressionado pelos mordentes. É mais provável que seja um rebitador em vista de que um alicatão semelhante era anunciado pela Helwig como “Bolt and Rivet Clippers”.

Data:                     Provável década de 1920

Marca:                 Helwig

Inventor:            John  H Helwig

Empresa:            Helwig MFG. Co.

Origem:               St. Paul – Minnesota – USA

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Fonte:                  Hendricks’ Commercial Register of the United States

Ref.: 305-15

A figura adiante mostra uma das patentes de John Helwig.

Almotolia / Oiler

Esta é mais uma das inúmeras almotolias (bombinhas de óleo) criadas para melhor lubrificar engrenagens, pivôs, eixos, brocas e tantas outras utilidades que produzem atrito.

Externamente muito simplória, no entanto, possui um engenhoso sistema de bombeamento interno.  No interior há uma bombinha feita de latão, que expele o óleo para cima, mediante pressão fornecida pelo acionameno do gatilho com o polegar.

Tambor e alça em aço, bombinha em latão, estava com a pintura original completamente desgastada, bem como sem o gatilho, a mola e o puxador do êmbolo da bomba. Com um pouco de criatividade, sua funcionalidade foi resgatada.

Data:                     Provável anterior a década de 1980.

Patented:           96626

Marca:                 Kabi

Origem:               Dinamarca

Refrão:                Superior Quality

Estado atual:     Funcional demonstrativo.

Doação:               Sr. Ronaldo

Curiosidade:      Encontramos na internet outro modelo com o mesmo número de patente, portanto, é possível que se refira ao mecanismo de bombeamento do óleo e não ao formato e tamanho da peça.

318-15

Cilindro de cálculo / Calculation Cylinder / Cylindre de calcul

Esta peça mostra a criatividade dos povos na solução de problemas. Com um diâmetro de 50,3 mm, é menor que os relógios de pulso da moda, aqueles cebolões que os jovens tanto gostam de usar. Embora muito semelhante a um relógio, apure minutos e segundos, não apura o tempo, mas os graus de um ângulo, bem como as operações matemáticas de adição, subtração, multiplicação, divisão, potenciação, radiciação e algumas funções trigonométricas.

Trata-se de uma joia da criatividade humana, no entanto sem valor como adereço. Cabe no bolsinho da calça (aquele que fica dentro do bolso direito da sua calça jeans, tem exatamente a finalidade de colocar relógios de mão, que ninguém mais usa, mas continua sendo feito).

É um auxiliar poderoso para realizar cálculos sem lápis e papel, calculadora de bolso ou mesmo aparelho celular. Destinava-se a profissionais com familiaridade com o cálculo, como engenheiros e agrimensores os quais, estando em campo, rapidamente podiam fazer aproximações úteis.

Data:                     1965

Origem:               União Soviética (atualmente extinta)

Marca:                 Não identificável

Estado atual:     Funcional

Ref.: 320-09

Ventilador / Fan / Ventilateur

As tentativas de mitigar o desconforto causado pelo calor são muito remotas e, já no antigo Egito, servos utilizavam grandes abanadores para melhorar a vida dos Faraós. Com o advento do uso da eletricidade e do motor elétrico, surgiu o ventilador cuja invenção é atribuída ao norte americano Schuyler Skaats Wheeler, tendo ocorrida na década de 1880.

No entanto, devido a simplicidade da proposta, essa não é uma invenção que se pode definir como original.

No Brasil, a partir de 1957, empresa Metalúrgica Bokor S.A., fundada pelo húngaro Andor Bokor, muda a denominação para FAET – Fábrica de Artefatos Eletro Térmicos S.A.

Data:                     Provável década de 1960 ou início da década de 1970.

Origem:               Brasil

Marca:                 FAET

Empresa:            FAET – Fábrica de Artefatos Eletro Térmicos S.A.

Outros dados constantes na parte interna da base: n. 1035, 2, F6. Parte de um decalque:

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Apenas uma velocidade.

Curiosidade:      Com base em ferro fundido, carcaça do motor em aço, pás de alumínio, engrenagens do rotor em  plástico, este ventilador pesa 4,95 kg, algo impensável para os dias atuais em termos de custo e praticidade.

Para saber mais:

https://en.wikipedia.org/wiki/Schuyler_Wheeler

https://www.afcaforum.com/forum1/24459.html

Ref.: 38-14

Fatiador de batata chips / Chips potato slicer / Trancheur de croustilles

Fatiadores são utilizados desde que o primeiro ser humano descobriu que podia construir ferramentas para facilitar o trabalho realizado com as mãos e os dentes. Assim, as navalhas passaram a compor uma utilidade inseparável. No entanto, mais e mais inventos foram criados para facilitar o uso da navalha, alguns como as facas subsistem com moderníssimas tecnologias, outros como este fatiador manual, para restaurantes ou pequenas indústrias. No entanto, estão em extinção porque foram substituídos por mais modernos, elétricos e funcionais.

Este tipo de fatiador, com corpo em alumínio, alças e navalhas em aço, é muito prático e produz bons resultados, o que lhe garante, ainda na atualidade, ofertas de peças novas no mercado.

Para fazer funcionar basta colocar batatas no depósito, liberar o pressionador das batatas e girar a manivela para produzir finas lâminas que serão fritas ou torradas, produzindo a deliciosa batata chips. Também pode ser utilizado para fatiar outros legumes e frutas.

Data:                     Provável segunda metade do século XX

Marca:                 Guapo

Origem:               Brasil

Estado atual:     Funcional

Curiosidade:      A peça veio de Minas Gerais com uma das partes do pressionador quebrada. Em Pelotas-RS ao procurar o Sr. João, especialista em soldas de alumínio, o mesmo possuía um pressionador há um ano, cujo cliente levou para soldar e jamais apareceu para buscar. Creio que a chance de ocorrer tamanha coincidência é menor que a de acertar na loteria…

Ref.: 304-12

Canhão de encher linguiça / Sausage stuffing machine / Maquina de llenado de salsichas

A linguiça é uma invenção tão antiga quanto a civilização. Embutir carne picada, com sal e especiarias em intestinos de animais garantia a preservação do alimento, pois o sal, as especiarias e a falta de contato exterior impediam a proliferação de bactérias, garantindo a qualidade do alimento por bastante tempo, sendo útil tanto no lar quanto nas viagens.

Esta máquina de embutir, com capacidade para 2 kg de massa,  permitia uma produção bem além da necessidade doméstica, portanto, foi produzida para pequenas empresas, tais como açougues ou fiambrerias.

Para utilizar é necessário encaixar a tripa no funil, encher o tubo de massa, posicionar o êmbolo na frente do tubo e girar a manivela forçando a saída da massa pela tripa. Conforme a tripa vai enchendo é necessário interromper o fluxo e torcer a “perna” de linguiça no tamanho desejado.

A massa de carne moída era preparada com moedores desse tipo https://museudosilvio.wordpress.com/2017/11/11/moedor-de-carne-meat-grinder/

Data:                     Provável década de 1920-30

Origem:               Suécia

Empresa:             Husqvarna

Marca: Reliance

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Curiosidade:      Esta peça em data pretérita deve ter sofrido um acidente, pois sua estrutura quebrou em cinco lugares diferentes, tendo sido recuperada, na  época, de forma grosseira. Como nosso propósito é o de mostrar tão somente a utilidade, não interferimos na peça, além  da limpeza, destravamento e pintura.

Ref.: 316-12

Balança Martins Ferreira / Martins Ferreira scale

Esta balança, toda em ferro fundido e bronze, pesa aproximadamente 12 kg e tem capacidade para medir massa de até 120 kg.  Foi produzida pela empresa Indústrias Martins Ferreira, fundada no final dos anos 1890, pelo empresário Augusto Martins Ferreira.

Duas situações indicam como provável produção da balança na década de 1940/50.  Pelo fato de a produção do alumínio ter iniciado em escala industrial no Brasil a partir de 1944, pode-se situar esta balança em data anterior, visto que não possui nenhum elemento desse metal. Porém, a plaquinha de aferição metrológica da prefeitura de São Paulo não situa a peça em dada anterior, visto que a prefeitura realizava inspeções metrológicas em caráter próprio somente a partir de 1949 1. No entanto, o modelo pode ser bem anterior à década de 1940, mantidos os mesmos materiais originalmente utilizados antes do uso do alumínio em larga escala.

Data:                    Provável década de 1940/50

Origem:               Brasil

Marca:                 Cayapó

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Para saber mais sobre  a empresa Martins Ferreira: http://www.saopauloantiga.com.br/industrias-martins-ferreira/

  • A partir de 01 de janeiro de 1952, pelo Decreto de 29 de dezembro de 1951, a Prefeitura de São Paulo, por delegação, passa a ter as atribuições de órgão metrológico. Essa informação consta do Decreto n. 3052, de 29 de dezembro de 1955 que consolida o código das posturas do Município de São Paulo.  Fonte:  (http://documentacao.camara.sp.gov.br/iah/fulltext/decretos/D3052.pdf)

Ref.: 311-02

Esta foto do fundador da empresa catamos no site http://www.saopauloantiga.com.br

Máquina de escrever portátil / Portable typewriter / Machine à écrire portable

Hermes Baby

As máquinas de escrever fizeram toda a diferença para a humanidade no período de 1890 a 1990, pois possibilitaram um desempenho exponencial no modo de escrever, substituindo a caligrafia por tipos impressos. Porém, a partir da massificação do uso de microcomputadores as máquinas de escrever tornaram-se completamente obsoletas.

Milhões de máquinas de datilografia foram produzidas. Saber datilografar fazia a diferença na contratação de empregados. Cursos de datilografia faziam parte do currículo dos candidatos a emprego, especialmente das secretárias.

Com o barateamento na produção dessas máquinas todas as famílias com alguma posse conseguiam ter em casa uma dessas, sendo as portáteis as mais em conta.

A máquina de escrever Hermes Baby foi vendida durante os anos de 1935-1989, utilizadas por estudantes e  profissionais

https://www.propagandashistoricas.com.br/2014/02/maquina-de-escrever-hermes-baby-1937.html

Data:                     Década de 1970

Origem:               Brasil

Marca:                 Hermes

Modelo:              Baby

Número:             6331012

Fabricante:         Hermes – Precisa S.A.

Estado atual:     Funcional

Doação:               Sr. Luiz Cesar. Foi único proprietário.

Ref.:                      314-10

Bomba d’água manual / Manual water pump / Pompe à eau manuelle

Bombas d’água sempre existirão, pois a necessidade de transferir a água de locais, bem como devido a suas maravilhosas características, facilitam o uso de quaisquer formas de bombeamento. 

Toda em ferro fundido, com válvulas em latão, acessos de entrada e saída d’água de uma polegada, esta bombinha tem por finalidade retirar água de reservatórios pequenos, onde não há energia elétrica.

Para funcionar basta que a bomba esteja ligada à fonte de água (por mangueira ou cano) e que o usuário mova a alavanca para cima e para baixo.

Devido ao seu tamanho e características, parece ser uma bomba d’água portátil, produzida para resolver pequenos problemas de drenagem.

Sem data:           O êmbolo de borracha sintética situa essa peça em data posterior a 1940. Entretanto, pela ausência de outros materiais artificiais, não deve ser posterior a 1950.

Origem:               Brasil

Marca:                 Riachuelo. Não encontramos nenhuma referência sobre o fabricante na internet.

Curiosidade:      A marca faz referência à Batalha Naval de Riachuelo, ocorrida em 1865, a qual representa uma importante vitória brasileira ante o Paraguai.

Encontramos uma bomba semelhante em formato e funcionalidade com a  marca “Carmo”.

Para saber mais: http://www.asbombas.com.br/bombas-uma-breve-historia/

Ref.: 312-12

Calculadora Facit C1-13 / Facit calculatorC1-13 / Facit calculatrice C1-13

Esta é uma das últimas calculadoras manuais mecânicas produzidas no Brasil, em vista  da inundação de calculadoras eletrônicas introduzidas no mercado a partir do início da década de 1970. Comparada com uma calculadora eletrônica, esta calculadora é completamente anacrônica.

Ela segue o modelo pinwheel inventado por Willgodt Theophil Odhner, por volta de 1890, no século XIX. Portanto, foi uma tecnologia que durou mais de um século.

Com esta calculadora podem ser feitas as quatro operações aritméticas básicas. No entanto, as operações de adição e subtração requerem que o operador desabilite manualmente a seleção anterior, cujo processo é lento e requer esforço físico como o polegar. Desta forma, o uso contínuo poderia gerar lesões no seu operador.

Por outro lado, é uma jóia mecânica, que funciona perfeitamente, e seu conjunto de engrenagens giram silenciosamente.

Ao mesmo tempo em que na atualidade não é mais necessário  sequer possuir uma calculadora, bastando acesso à internet para fazer qualquer cálculo, esta máquina poderia ser útil daqui há dezenas ou centenas de anos ante uma eventual falta de energia elétrica.

Data:                    Provável década de 1970

Origem:               Juiz de Fora, Minas Gerais – Brasil

Marca:                 Facit

Modelo:              C1-13

Número:             134654

Fabricante:         Facit S.A. (máquinas de escritório)

Estado atual:     Funcional

Doação:               Sr. Ronaldo (pertenceu ao seu pai, que foi profissional de contabilidade)

Ref.: 315-03

Descascador de frutos de café / Coffee peeler / Éplucheur à café / Pelador de café

Quanto tomamos um delicioso cafezinho, ou um moka, ou um pingado ou um carioquinha, sentimos o seu aroma e sabor. Mas em geral não nos lembramos do caminho percorrido  pela deliciosa essência que estamos ingerindo.

O cafeeiro dá uma frutinha. Essa frutinha é colhida e secada ao sol. Após isso, ela é descascada, separando a semente que é torrada conforme o tipo de café que se pretende obter. Depois disso ela é moída e transformada em pó de café, nosso conhecido. Depois disso é extraída a essência fazendo o café “passado” ou o “expresso” mediante pressão de água quente.

Essa máquina manual, talvez a mais deselegante da coleção, serve para descascar a fruta, separando a semente da casca e da polpa, portanto, faz um papel intermediário. Tem por finalidade produzir café em pequena escala, para processamento doméstico.

Muitas dessas ainda se encontram a venda no mercado, novas. De certa forma, é uma tentativa de manter a tradição de produzir o próprio café. Evidentemente, é adquirida pelos agricultores, das regiões cafeeiras, que plantam café para seu consumo pessoal.

Sem marca nem origem, pode ser um clone da marca Botini ou mesmo ser um precursor da marca Botini.

Origem:               Embora sem referências, deve ser do Brasil, por várias evidências que não vale a pena escrever aqui, pois tornaria o texto longo.

Data:     Pode ser do final do século XX devido ao estado em que se encontrava.

Curiosidade:      O eixo foi alongado para acolher uma manivela que não pertence à peça original. Também o depósito de grãos não é original e feito artesanalmente. Isso tudo pode indicar que o descascador fui muito utilizado e sua vida útil foi alongada. Também pode ter sido abandonado e alguém resolveu lhe devolver a utilidade, para posteriormente ser outra vez abandonado.

Ref.: 260-12

Lampião com combustível à pressão / Primus 981 pressure lamp / Lampe à pression

Os lampiões à pavio possuíam um reservatório de combustível facilmente reabastecido e foram um grande avanço em relação às velas de cera, aos archotes e às lâmpadas de combustível. Entretanto, limitavam-se à singela queima do combustível embebido em um pavio.

No início do século XX foi colocado à venda um lampião com capacidade de iluminação bem superior. Constituía-se num depósito de combustível com uma bombinha de ar para colocar pressão sobre o combustível dentro do depósito. Ao liberar o combustível, este espirrava sobre as paredes internas de um pequeno saco de seda, que ampliava a área de queima, aumentando em muito o poder de iluminação.

Data:                     Início do século XX.

Origem:               Suécia

Marca:                 Primus

Modelo:              981

Fabricante:         A/B B. A. Hjorth & Co

A foto contendo a embalagem original foi captada de um site de vendas.

Estado atual:     Faltam componentes, como pode se observar nas fotos do site adiante https://classicpressurelamps.com/threads/1939-primus-981.10336/

Ref.: 302-14

Duplicador cyclostyle Gestetner / Gestetner cyclostyle duplicator / Duplicateur Gestetner

Quem, nascido antes de 1990, não viu um mimeógrafo sendo utilizado na escola, com aquele cheirinho de álcool? Muitos até ajudaram a professora a rodar cópias das provas ou de panfletos no mimeógrafo. Se duvidar, ainda hoje, o mimeógrafo é utilizado em alguma escola.

Pois essa invenção é atribuída ao húngaro David Gestetner (1834-1939), inventor de um duplicador a estêncil batizado com seu nome, que permitiu a emissão de inúmeras cópias de documentos de forma econômica e fácil. Pode-se dizer que é o precursor das antigas ” máquinas xerox”, a qual também cedeu lugar para  as impressoras com scanner e outras formas de duplicação.

Para funcionar fixava-se o papel stêncil a ser copiado junto ao rolo superior da máquina e embebia-se o rolete intermediário de tinta, acionando a manivela até embeber o papel stêncil com a tinta. Após isso, em uma bandeja, colocava-se a folha a receber a cópia pelo rolete inferior. O movimento dos rolos produzido pela manivela, colocava a folha limpa em contato com o papel estêncil, cuja tinta impregnava a cópia.

Data:                     Provável década de 1920.

Modelo.              17. N. 49825

Origem:               Totenham – London – Inglaterra

Fabricante:         Gestetner Ltda.

Estado atual:     Não funciona. A correia de aço laminado está quebrada, não dispomos de papel copiador, bem como desconhecemos se está faltando algum componente na máquina.

Curiosidade:      Por ser uma peça muito robusta, muitas dessas ainda sobrevivem e provavelmente permanecerão como registro da história das reproduções por muitos séculos.

Neste vídeo você pode ver um desses um pouco mais moderno a funcionar: https://www.youtube.com/watch?v=LyOVzyis2UQ

Para saber mais: https://victoriancollections.net.au/items/58b3b81fd0ce260f2cdfe2b0

Ref.: 79-05

Filtro de água doméstico / Home water filter / Filtre à eau domestique

Este filtro produzido pela Metalfrit Ltda, sucessora da Fundição Progresso cuja sede atualmente abriga uma fundação cultural.  Na testeira do prédio da Fundação consta “Fábrica de Cofres Progresso” De L. B. D’Almeida & Cia., ladeado pela inscrição 1912, provavelmente o ano de construção do prédio. situado na Rua dos Arcos, n. 28 a 42, no Rio de Janeiro. A Fundição Progresso foi fundada em 1891.

No site http://www.fundicaoprogresso.com.br/AFundicao/AcervoDigitalDetalhes/8    encontra-se uma galeria de fotos de época pretérita das dependências da fábrica.

Na revista Acrópole, de setembro de 1932, consta um anúncio  com os filtros Metalfrit, portanto, dando à peça uma  espécie de “certidão de nascimento”, indicando que foi produzido nas décadas de 1930/50.

Doação do Sr. Parobé,  da casa dos Rolamentos, de Pelotas – RS.

Origem:               Brasil

Estado atual:     Não testado. Está sem o elemento de filtragem.

Curiosidade:      O conjunto pesa aproximadamente 7 kg, o que é impensável nos dias de hoje, onde filtros de plástico, pesando algumas gramas, fazem o mesmo trabalho.

Ref.: 308-14

Aquecedor de ambiente e fogão à querosene / Stove

Na parte superior encontramos as chapas móveis de aquecimento e suporte para o objeto a ser aquecido. Na parte inferior encontramos o queimador e o depósito de combustível.

Para funcionar é necessário levantar o suporte e fixá-lo, liberando a área do queimador para que se acenda o fogo. Logo a seguir, baixa-se o suporte para que o fogo suba em direção às chapas móveis.

Vê-se logo abaixo do queimador um cilindro todo furado que serve como entrada de ar para alimentar o queimador. Ao Lado da tampa de acesso ao depósito de combustível, há um botão giratório que serve para regular a chama do queimador ou mesmo, para apagar o fogo.

A queima ocorre pela impregnação de um pavio com o combustível, e essa impregnação ocorre por simples absorção.

Possui duas alças laterais o que significa que é uma peça móvel. No componente retrátil, logo acima do queimador, encontramos um visor de vidro vermelho para que o usuário constate se o fogo está aceso.

Não possui marca, mas deve ser de origem argentina

Sem data. Devido ao seu bojo de latão, provável início de meados do século XX ou anterior

Estado atual: funcional demonstrativo.

Curiosidade: O botão de regulação da chama contém uma estrela de seis pontas, no judaísmo considerada a estrela de David. A pergunta é se a estrela está ali apenas como adereço ou está representando alguma ideia. Não sabemos. Outro aspecto curioso é a aparência de um personagem de desenho animado da foto em close.

Ref.: 296-14

A respeito dos estilos / About styles / A propos des styles

A preservação de bens é um ato de vontade individual e ao mesmo tempo um ato político. Tudo o que existe no mundo material tende a perecer, ou mesmo, a se transformar, pois nada é perene, nem as peças dos museus, como sabemos.

Assim sendo, podemos refletir sobre o que se pretende ao preservar alguma coisa e qual a finalidade de sua preservação.

Tenho encontrado nos diversos museus que visito ao menos três modalidades de  preservação de peças: a) a peça é apresentada conforme foi encontrada, mesmo que em condições de funcionalidade ou de aparência que dificultam até mesmo  a identificação de como a mesma era originalmente; b) peças perfeitamente conservadas, como se tivessem  recém  sido produzidas; c) peças muito bem conservadas, porém, com as marcas do tempo e do uso.

Além do que se apresenta nos museus que tenho visitado, vejo muitos vídeos no Youtube onde amantes do fazer coisas, de consertar, usam equipamentos sofisticados para não apenas restaurar as peças, mas o fazem de forma tão perfeita que são mais bem acabadas e apresentáveis que as peças originalmente fabricadas. É uma preservação com algo mais, com o toque pessoal do sujeito, podendo ser simplificado na modalidade: d) restauração com modificações relevantes em relação a peça original.

Portanto são quatro estilos identificados, os quais merecem ser entendidos segundo suas propostas e o valor político que possuem as peças.

Alguns poderão argumentar que algumas peças tem um valor maior que político, que possuem valor simbólico como memória da humanidade, as quais devem transcender o posicionamento político. Sim, eu concordo com esse argumento, entretanto, do ponto de vista técnico, a sua preservação se enquadraria em um dos quatro estilos. A única diferença é que, ao haver a decisão política de conservar o bem como memória da humanidade haverá uma decisão, também política, sobre qual a técnica a ser empregada.

A recente polêmica sobre a restauração da catedral de Notre Dame, em Paris, evidencia bem a questão política envolvida, bem como é centrada nas técnicas a serem a plicadas na sua restauração.

Alidade

Alidades são aparelhos de apoio ao mapeamento de terrenos e sua representação em desenhos em papel para uso em atividades como engenharia civil ou militar.

Este aparelho, um tanto desengonçado, com tripé para mesa, com três aparelhos óticos reguláveis quanto a posição no plano, sem marca nem identificação de origem, todo em ferro fundido com os tubos em latão, apresenta as características de um alidade.

Funciona como redutor do terreno real para sua representação em escala. Seu uso requer alguns conhecimentos de matemática e de desenho técnico, portanto, não é algo que se possa usar apenas olhando pelos visores.

Data:                     Provável início do século XX.

Estado atual:     Faltam componentes presumidamente óticos. Curiosidade:      Informaram ao vendedor que poderia ser um acessório usado por armeiros, porém, descartei essa hipótese.

Ref.: 309-09

Máquina de Costura Singer 24-7/ Singer Sewing Machine Model 24-7

É uma máquina doméstica à pedal. Tinha por finalidade costurar com o ponto parecendo um zíper fechado.

No início do século passado a Singer produziu milhões de máquinas de costura. Foram produzidas 137.593 unidades deste modelo, no período de 1910 a 1924. 

Esta máquina foi dada por produzida no dia 07 de abril de 1920, num lote de 5.000 unidades.

Data:                     1920

Número:             G7973621

Série:                    24-7

Marca:                 Singer

Empresa:            The Singer Manufacturing Co.

Origem:               Estados Unidos

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Faltam o gabinete com pedais e alguns acessórios.

Fonte: http://ismacs.net/singer_sewing_machine_company/serial-numbers/singer-g-series-serial-numbers.html,

Ref.: 307-14

Amassador de legumes / Vegetable mil / Moulin legumes

Este é um aparelho bem prático, todo em aço laminado e niquelado. Para funcionar, basta colocar o legume bem cozido no seu interior e girar a manivela. O amassador espremerá o legume contra uma tela metálica, o qual sairá em partículas.

Ainda encontramos vários modelos a venda, com o mesmo princípio, com pequenas diferenças de forma, porém com materiais diferentes.

A inscrição “Brevete S.G.D.C” indica que este aparelho foi produzido antes de 1968, pois esta é a data em que a França parou de utilizar o sistema Breveté Sans Garantie Du Gouvernement”, significando “Patente sem garantia do governo”.

Data:             Anterior a 1968

Origem: França

Modelo: 1

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Para saber mais: https://de.wikipedia.org/wiki/Brevet%C3%A9_S.G.D.G.

https://en.wikipedia.org/wiki/Food_mill

Ref.: 306-14

Carneiro hidráulico / Gravity pump / Pompe à gravité

Bomba d’água aríete ou carneiro hidráulico é uma máquina que parece fazer mágica, mas funciona utilizando a força da gravidade, que é grátis e permanente, para elevar a água para depósitos.

Isso é possível porque a força de descida da água desde a fonte até a bomba causa certa pressão no interior a bomba, sendo o cano de entrada tem diâmetro maior que o de saída, fazendo com que a água seja pressionada, fazendo-a jorrar com mais força.

Quando as crianças brincam com a mangueira, apertando sua ponta para jogar a água mais longe ou mais alto, estão fazendo as funções de uma bomba d’água.

Sua eficiência, depende da distância da fonte de água, do seu volume, do desnível entre a fonte e a bomba, bem como da altura que se pretende elevar a água.

Ainda são produzidas para evitar o uso elimina o uso de energia elétrica, manutenção de motores e etc., sendo ecologicamente muito interessante.

Toda em ferro fundido, com aríete de bronze é fixada sobre uma base.

Ano:                      Provável segunda metade do século XX.

Marca :                Crizal Marumby. A empresa Marumby indústria e comércio de bombas ltda produz estas bombas com a marca Crizal.

Tipo:                     Marumby

Origem:               Brasil

Estado atual:     Não testado

Ref.: 292-12

Bomba medidora de óleos vegetais / Pump for vegetable oils / Pompe pour huiles végétales

Para adquirir azeite ou óleo de cozinha no mercado basta pegar a garrafa na gôndola. Na década de 1960, quando iniciou a venda de óleo vegetal para substituir a gordura animal (banha de porco) ainda não havia facilidade para venda distribuída de garrafas descartáveis. Além disso, o óleo não era tão barato quanto atualmente. Assim, os armazéns adquiriam óleo em tambores de 100 ou 200 litros e vendiam a granel. O cliente levava até o armazém o seu recipiente e essa bomba era utilizada para bombear a quantidade de óleo desejada (450 ou 900 ml).    

Feita em alumínio, com corpo de vidro, permitia ao cliente visualizar a côr e a quantidade de óleo que o vendedor estava bombeando. Esse equipamento foi aferido em 1976 pelo antigo Instituto Nacional de Pesos e Medidas, órgão que visava a proteção do consumidor.   

Data:                     Década de 1960

Origem:               Brasil

Marca:                 Pratik

Fabricante:         Medidores de Líquidos Pratik Ltda.

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Falta a manivela, e também há componentes degradados.

Adiante vemos algumas fotos da peça quando foi adquirida.

Ref.: 303-05

Laminador de ourives / Goldsmith machine tool / Laminoir d’or

Por ser um metal nobre, o ouro sempre fascinou a humanidade. Possui inúmeras utilidades e a mais conhecida é fabricação de joias. Além da raridade, possui características físico químicas de ductibilidade, excelente capacidade de transmissão de energia e inoxidação que o tornam diferenciado dos demais. Sua laminação remonta à antiguidade e desde então foram desenvolvidas várias técnicas para esse fim. Uma delas é a passagem da peça por laminadores.

Como joalheiros lidam com pequenas quantidades, também requerem pequenos laminadores. É o caso deste laminador, todo em aço de boa qualidade. Trata-se de peça única, pois suas características indicam que foi produzida por um torneiro mecânico para um cliente específico.  Sem marca nem origem, aparenta ter sido bastante utilizada antes de ser descartada. Sua condição atual não permite uma laminação homogênea.

Data:                     Provável segunda metade do século XX

Origem:               Provavelmente – São Paulo – Brasil

Estado atual:     Funcional demonstrativo

Ref.: 300-20

Forja com ventoinha manual / Blacksmith Buffalo Forge Co

Antigamente existia a expressão “malhar em ferro frio”, significando que era um a tarefa quase impossível. Para conseguir malhar o ferro, os ferreiros, desde sempre, necessitavam ventilar as brasas para que as mesmas liberassem calor suficiente para aquecer o ferro ao ponto de torná-lo maleável.

Esta forja, em aço, é alimentada por uma ventoinha manual, a qual ventila as brasas desde baixo, trazendo o aumento de calor necessário para incandescer o ferro.

Para funcionar basta colocar as brasas na bacia, atear fogo, colocar por entre as brasas a peça de ferro que se deseja aquecer e girar a manivela da ventoinha ativando as brasas.

Data:                     Primeira metade do século XX

Origem:               Estados Unidos

Fabricante:         Buffalo Forge Co                                         

Estado atual:     Funcional demonstrativo.

Para saber mais:  https://en.wikipedia.org/wiki/Buffalo_Forge_Company

Ref.: 284-15

Máquina de Bigoli / Pasta maker / Machine à pâtes

Esta máquina de macarrão, para preparo de bigolis, aparenta um pequeno moedor de carne. Com este aparelho, a extrusão da massa não deve ser uma das tarefas mais fáceis, pois requer que a massa seja muito macia para que funcione. Seu cabo desproporcionalmente grande indica a necessidade de força para girar o extrusor.

Seu razoável estado de conservação indica que foi descartado devido a dificuldade apresentada para seu uso. Além disso, devido ao corpo ser de alumínio, há grande possibilidade de contaminação da massa com o óxido de alumínio, a “ferrugem” desse elemento, a qual desprendida, se mistura à massa, dando a ela uma cor desagradável.

Data:                     Provável segunda metade do século XX

Marca:                 Alfa-Ambra

Origem:               Vários sites de venda dão conta de ser italiana, porém não encontramos fontes precisas para essa informação

Estado atual:     Funcional demonstrativo. Faltam um bocal, várias forminhas e esferas do rolamento que supostamente facilitariam o giro do extrusor.

Curiosidade: O atento visitante é capaz de identificar o que está errado na imagem maior?

Ref.: 299-14

Espeto giratório portátil / Portable spinning spit / Tourne broche mecanique

Este curioso equipamento para uso em acampamentos, ou mesmo em residências, com engrenagens de relógio, tinha por finalidade girar o espeto sobre o fogo para obter um assado uniforme. Girando a manivela um certo número de vezes, representando um minuto para cada volta, os espetos giravam até acabar a força da corda, fazendo soar uma campainha para alertar o assador.

Feito em ferro fundido, folha de flandres e latão, possui pés em formato de pata de carneiro. Sobre o topo há um alto relevo em ferro fundido com a figura de um flautista. Possui espera para dois espetos.

Data:                     Desconhecido. Provável início do século XX.

Origem:               França

Fabricante:       Manufacture Française D’armes et Cycles, de St Etienne (Fábrica Francesa de Armas e Bicicletas de St Etienne)

Estado atual:      Funcional demonstrativo. Os dois espetos e o respectivo suporte não são originais. Falta a bandeja para depósito do carvão.

Curiosidade: Tivemos que distorcer as imagens, para que coubessem no modelo do WordPress.

O link abaixo mostra uma dessas unidades em funcionamento. https://www.youtube.com/watch?v=gt2dxcCmSso

O link adiante trata um pouco da história da empresa fabricante.

http://babethhistoires.centerblog.net/598-1923-manufacture-des-armes-et-cycles-de-saint-etienne

Ref. 183-04

Mini moedor de café / Mini coffe grinder

A caixa deste moedorzinho de café possuía concavidades laterais ergonômicas para fixar entre os joelhos e facilitar a moagem.  Como adquirimos apenas a máquina, ainda em estado lastimável, refizemos o conjunto com o material e equipamentos disponíveis, preservado o que sobrou de original da estrutura da máquina.

Data:                    Provável segunda metade do século XX.

Modelo:              496 ou 580 “Santiago”

Estado atual:     Funcional.

Marca:                 Zassenhaus Mokka (https://www.zassenhaus.com/wir-ueber-uns)

Origem:               Alemanha

Curiosidade:      A caixinha que construímos não segue a mesma lógica das que vemos na Internet. Isso porque a tábua que dispúnhamos tinha 100 mm de largura enquanto a original exigia no mínimo 116 mm. Entretanto, a máquina se encaixa perfeitamente e a caixa atende à necessidade.

Para ver como funciona: https://www.youtube.com/watch?v=T3uMFmSK6q4&lc=UgwZ4Kds0HpKRJWVdgd4AaABAg

Ref.: 295-14